Dicas de leitura: Livros onde o local também é um personagem

sábado, 21 de março de 2020

Eu amo ler, desde criancinha - e o maior motivo desse amor sempre foi, sem dúvidas, o fato da leitura me transportar para lugares desconhecidos, me fazendo viajar sem sair de casa, conhecer culturas de lugares que achava que nunca iria ver pessoalmente. Em um post anterior fiz um apanhado de livros infantis que falam sobre lugares e culturas diferentes, para despertar nas crianças o desejo de conhecer o mundo e viajar por aí - LIVROS INFANTIS PARA VIAJAR SEM SAIR DE CASA - e agora chegou a vez de indicar alguns livros adultos.
Na maioria destes livros, os locais onde se passam as histórias são mais que simples paisagens - são praticamente personagens, e uma parte importantíssima da narrativa depende da descrição dos lugares e de como os personagens interagem com o entorno. 

Começando a viagem pela Itália, atualmente um destino inacessível por conta da recente pandemia de Covit-19. Nunca estive lá de fato mas já viajei muito pelo país 🍝🍕🍷 pois são muitos os livros que tem cidades e regiões italianas como cenário. Seguem abaixo alguns:
Quatro Estações em Roma (de Anthony Doerr, editora Intrínseca) - Como o próprio subtítulo diz, são as memórias de um escritor norte-americano na capital italiana. Após ganhar um prêmio, com direito a ajuda de custo e um estúdio para escrever um livro na Itália, o autor se muda para Roma com a família (esposa e filhos gêmeos bebês) por um ano. Vamos viajando com eles por entre os monumentos e ruas da cidade, dividindo suas dificuldades com a língua e os costumes dos romanos, nos deslumbrando com as mudanças nas paisagens mudam conforme mudam as estações. Uma delícia de ler, dá para se sentir realmente em Roma! 
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Amor & Gelato (de Jenna Evans Welch, editora Intrínseca) - Esse livro é fofo demais! Embora seja mais voltado para o público juvenil, às vezes uma leitura leve é tudo que precisamos para desligar um pouco da realidade 💗 É impossível não se envolver com a história de Lina, uma adolescente que viaja para a Toscana para atender o último pedido da mãe, que acabou de morrer. Suas descobertas pessoais se entrelaçam com as lindas paisagens italianas e seus passeios por Florença. Tocante e divertido na medida certa.
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Comer, Rezar, Amar (de Elizabeth Gilbert, editora Objetiva) - Livro que virou filme e transformou a escritora numa celebridade. A autora conta sua jornada radical de autoconhecimento ao longo do ano que viajou por 3 países: Itália, Índia e Indonésia, depois de se divorciar e vender tudo que tinha. Suas experiências nos 3 países, tão diferentes entre si, nos levam a conhecer um pouco mais de Roma, de um retiro espiritual indiano e de Bali. Nem preciso dizer que achei o livro bem melhor que o filme, hollywoodiano demais para o meu gosto. Já li outros livros da autora e adoro o jeito que ela escreve.
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A Filha Secreta (de Shilpi Somaya Gowda, editora Record) - E já que mudamos de continente e falamos da Índia, esse é um livro lindo que li recentemente. Conta a história de Asha - a filha secreta do título -, uma menina indiana adotada por um casal de médicos formado por uma norte-americana e um indiano. O interessante é o vai e vem da narrativa, sob diferentes pontos de vista ao longo de 25 anos: da mãe americana, do pai indiano mas que vive nos EUA há muitos anos, da mãe biológica que nunca se esqueceu da filha. Um retrato brutal dos costumes indianos, tão diferentes dos nossos e que podem até nos causar indignação, da miséria e da sujeira, das diferenças sociais gritantes (talvez não tão diferentes das que vemos aqui no Brasil) - mas também uma descoberta que fazemos junto com Asha, em seu trajeto de conhecer mais suas raízes e sua família. Um livro do qual não esperava muito mas que me surpreendeu.
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Fique Comigo (de Ayòbámi Adébáyò, editora Harper Collins) - Mudando de continente de novo, seguimos para a Nigéria, na África, sob o olhar dessa autora de nome difícil e de narrativa comovente. Situada nos anos 80, a história conta a saga da personagem Yejide na tentativa de engravidar de seu marido, Akin. Embora sejam um casal considerado moderno quando comparado aos antigos costumes do país - os dois se conhecem na universidade, ambos trabalham e casaram por amor - é doloroso ver o quanto as tradições cobram e culpam a mulher no que se refere à maternidade e manutenção da família. O drama pessoal de Yejide é entrelaçado às dificuldades políticas e às questões culturais da Nigéria. Um livro muito tocante e que nos permite um outro olhar sobre a influência colonizadora européia na África.
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Hibisco Roxo (de Chimamanda Ngozi Adichie, editora Companhia das Letras) - Outro romance ambientado na Nigéria e que trata de muitas questões delicadas, tanto sociais quanto políticas. Contada em primeira pessoa pela adolescente Kambili, mostra a desintegração de sua família causada pelo pai, um católico fervoroso que abomina todas as antigas tradições do país - tudo isso tendo como pano de fundo uma situação política instável e violenta. Assim como outros livros da Chimamanda, autora que amo, não é uma leitura fácil nem leve, mas muito necessária nos dias de hoje.
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Livre (de Cheryl Strayed, editora Objetiva) - Atravessamos o oceano e paramos nos Estados Unidos, para acompanhar a história impressionante de Cheryl, outro livro que virou filme com atriz famosa. Aos 20 e poucos anos, depois de uma série de perdas pessoais - a morte repentina da mãe, o afastamento do padrasto e dos irmãos, o divórcio - e muitas atitudes autodestrutivas, Cheryl decide fazer sozinha a Pacific Crest Trail, uma trilha de mais de 1700 km na costa oeste dos EUA. Viajamos junto com ela enfrentando desertos e neve, subidas e descidas, e toda sua dolorosa jornada física e psicológica. É impressionante como a descrição das paisagens se entrelaça à vida de Cheryl. Não assisti ao filme, mas duvido que faça jus ao livro.
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Fazendo as Malas (de Danuza Leão, editora Companhia das Letras) - Mais um livro leve e, porque não, um pouco pedante. Acompanhamos a jornalista e escritora Danuza Leão na divertida narrativa de seu planejamento de viagem a várias cidades famosas da Europa - Paris, Lisboa, Sevilha e Roma (notando-se a sua total falta de preocupação com preços, ao contrário de nós mortais) - e depois de fato viajando com ela por essas cidades incríveis (novamente, dinheiro não parece ser problema). Para ler sem julgamentos e sem grandes pretensões literárias, é delicioso percorrer com ela hotéis e restaurantes chiques, fazer compras em Paris e se sentir um viajante de categoria não-econômica. Para quem se sentir abonado e inspirado, ao final do livro há uma lista dos restaurantes, hotéis e lojas citados ao longo da história.
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Não podia terminar esse post sem citar dois livros de blogueiras de viagem que li recentemente e que contêm ótimas crônicas de viagem.
O primeiro é Memórias Impublicáveis de Viagens, da Amanda Trintim, que escreve o blog As Viagens de Trintim desde 2014. São 33 crônicas autobiográficas, algumas divertidas, outras nem tanto, assim como são as viagens em geral, e é impossível não se identificar com algumas delas.
O segundo é Eu não quero chegar a lugar algum, da Mariana Bueno, do blog Mariana Viaja. Uma coletânea de crônicas que já havia sido publicada no blog, que não abordam nenhum destino específico mas sim outros aspectos do ato de viajar.
Recomendo os dois! Livros leves e deliciosos de ler, perfeitos para afastar um pouco os pensamentos da atual situação e tornar mais agradável esse período de confinamento em casa.

👉 Não é muito adepto da leitura? Talvez esse seja um bom momento para começar - afinal, uma situação como a que estamos enfrentando, quando a palavra de ordem é recolhimento, pode ser a oportunidade de mudar alguns hábitos. A sugestão é começar pelos livros de crônicas, que não cansam e podem ser interrompidos a qualquer momento sem prejuízos à compreensão (eu costumo ler livros de crônicas junto a outro livro, especialmente quando a história é mais pesada - gosto de me dar um "refresco")
👉 A ordem é ficar em casa o máximo de tempo possível, mas as vendas online estão aí para facilitar. A Amazon sempre tem ofertas bacanas, assim como outras livrarias (Saraiva, Livraria Cultura, Livraria da Vila).
👉 E-books têm preços mais acessíveis. Eu tenho uma certa dificuldade com eles - parece que minha concentração se perde um pouco quando não estou manuseando o livro em papel - mas muita gente prefere, pela praticidade e pelos preços. Alguns livros desse post li no formato eletrônico, pelo aplicativo gratuito Kindle (da Amazon) - é possível também adquirir o aparelho Kindle, que permite uma leitura mais confortável por ser projetado para isso (diferente dos tablets e celulares), mas que tem um custo relativamente alto. A Mariana, do blog Travel Tips Brasil, super recomenda o uso dele neste post: Kindle vale a pena? 
👉 Para as crianças, tem uma lista bacana nesse post: Livros infantis para viajar sem sair de casa
👉 Quer mais dicas de livros? Neste post do blog Chicas Lokas tem mais: Livros para um viajante: Inspiração para cair na estrada!

De resto, muita força a todos nesse período! Vamos fazer nossa parte, permanecendo em casa, protegendo a nós mesmos, nossas famílias e nossa comunidade, torcendo para que tudo retorne à normalidade o mais rápido possível 💗


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9 comentários:

  1. Ler é sempre uma viagem, quando podemos conhecer mais sobre os locais onde as histórias se passam, melhor ainda.

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  2. Deyse Marinho de Abreu22 de março de 2020 18:27

    Penso da mesma forma que você! Minha paixão pela leitura iniciou dessa forma, através das histórias poder viajar para diversos locais e épocas sem sair de casa! Adorei seu texto e as dicas de leitura! Muito inspirador! Obrigada!

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  3. Que forma maravilhosa de viajar nesse e em outros mundos, né?! Aqui também somos fãs de leitura, das mas diversas, mas as aventuras andam na moda entre as crianças. E essa sua lista tambémtá demais, sugestões anotadas!

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  4. Adoro livros, mas desde que me tornei mãe e trabalhava fora em um regime bastante extressante, me afastei deles, infelizmente.
    Pretendo retormar este hábito delicioso e viajar nas linhas e páginas perfumadas de um bom livro, de viagem, principalmente.
    Vou começar pelos da Itália, país que já visitei em três oportunidades, mas que instiga muito minha curiosidade. É muita cultura, história e beleza em um país só. Vou conferir suas dicas e aprender muito com elas. Grande beijo.

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  5. Eu adoro ler, sempre carrego um livro comigo e as dicas do post estão muito legais. Como não resisto, deixo uma dica também, de um livro que li agora em março e se chama Estação Atocha, o personagem é meio mala, mas você faz um tour com ele por Madrid e Barcelona.

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  6. Ler realmente proporciona viagens incríveis, e nestes tempo de isolamento social essas dicas caíram como uma luva!!

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  7. Muito boa ideia de arrolar livros onde o local também é um personagem!! Lista anotada!! Show de blog!!

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  8. Menina você me fez repensar as minhas leituras.. já estamos finalizando março e só li três livros (na verdade o terceiro preciso finalizar kk). Acredita que com o seu post me recordei que tenho Quatro Estações em Roma e ainda não li?
    Que máximo ver duas queridas indicadas aqui (Mari e Amanda), o do Mari eu comprei e o da Amandinha ainda não. Vou colocar as leituras em dias e viajar sem sair de casa.

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  9. Li esses dias um livro muito bom...
    E indico a todos: A obra “Francesco – A jornada de um pintor de almas”, escrita por Agnaldo Alles Quaresma, se passa no período da Itália renascentista e descreve a trajetória de um artista plástico que nasceu cego, mas que conheceu as cores de forma inusitada. Ele, mesmo cego, possui a capacidade de ver as cores no fundo da sua mente, chamando esse mundo cromático mental de Formas. Esse contato com as cores fez o jovem artista conhecê-las de modo profundo, entendendo o significado de cada tom cromático a ponto de saber o poder e influência de cada cor sobre as emoções humanas, possibilitando produzir quadros que tocavam na alma do observador.

    Assim ele busca, incessantemente, uma “luz”, ou melhor, um sentindo em sua existência. Os outros personagens também traçam as suas jornadas em busca da realização e encontro de um sentido em suas vidas. No entanto, no desespero da existência humana, as pessoas acabam, muitas vezes, escolhendo objetos, pessoas ou ideais fantasiosos como um norte para as suas vidas, esquecendo-se de viver o presente.

    Ele passa por diversas situações tensas, quase perdendo a vida nas mãos de quem o considera um empecilho para planos sórdidos. Por outro lado, vivencia situações agradáveis, por meio da troca de carinho e amor com quem o considera um ombro amigo. Agnaldo Alles mostra toda a sua sensibilidade estética neste romance inovador, mostrando ao leitor que as crises existenciais humanas são mais envolventes do que a nossa vã filosofia deduz.

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