Viagem sem crianças: permita-se!

Ok, esse é um blog de viagens em família - e olha que a nossa família é até bem grande: papai, mamãe, dois filhos e um enteado já adolescente. Mas neste Dia dos Namorados venho aqui defender uma outra modalidade de viagem: a dois 💕
Quem tem filhos, estejam já grandes ou sejam ainda bebês, tem noção da reviravolta na vida que é a chegada desses "intrusos" 😃 Aquela espontaneidade de resolver as coisas de última hora, aquelas férias que podem ser tiradas em qualquer época do ano, aquela mala de mão minimalista ou cheia de supérfluos pessoais, aqueles jantares às 11 da noite depois de bater perna o dia todo... dificilmente se consegue isso tudo quando há crianças presentes. Mas nem tudo está perdido! E este post é para defender a ideia que uma escapadinha a dois de vez em quando pode ser possível e dá uma energizada incrível no relacionamento. Seguem minhas pequenas dicas!
💚 Primeiro de tudo é preciso desapegar - vai dar dó deixar as crianças? Sim, vai, não vou mentir. É bem difícil se convencer que as crianças sobrevivem sem nós e estarão seguras e bem cuidadas com outras pessoas. Mas é preciso acreditar que um pouco de saudade é bom. Que conviver com outras pessoas (sem a nossa supervisão) é bom para os nossos filhos. Que se essa convivência for com parentes - avós, tios, primos - é uma maneira de dar a esses parentes o privilégio de desfrutar da companhia dos nossos filhos enquanto são crianças. E principalmente para nós, mães, ficar uns dias sem aquela carga mental de planejamento e preocupação que carregamos o tempo todo é um refresco!
💚 É necessário ter pessoas de confiança com quem deixar os pequenos. Temos muita sorte de ter avós mais que disponíveis e ansiosos para ficar com nossos malinhas - o que nos dá muita segurança em viajar sozinhos. Mas como eles não moram na mesma cidade que a gente, acabamos planejando nossas escapadas para fins de semana ou férias escolares - e adianto que os malinhas curtem muito ficar com os avós. Muita gente não tem essa sorte e esse acaba sendo um impedimento difícil de transpor, por isso meu conselho é, se tiver essa rede de apoio, aproveite!
💚 Planeje sua viagem de forma a poder fazer coisas que com as crianças não faria. Por exemplo, visite lugares que os pequenos não iriam curtir, ou vocês não conseguiriam ficar o tempo que gostariam. Se hospede em lugares mais românticos, que nem seriam cogitados para uma viagem em família. Faça um roteiro mais adulto, sem preocupações de fome/sono - a não ser os seus. Ande de mãos dadas, converse outros assuntos que não o dia a dia em família. Coloque na mala aquelas roupas, sapatos, acessórios, que faz tempo que você não usa porque te atrapalham no dia a dia com as crianças, mas que você amava usar antes de ter filhos. Eu, por exemplo, fiquei anos sem usar relógio de pulso porque me atrapalhava se tivesse que carregar alguém. Pode parecer pouca coisa, mas dá uma satisfação imensa fazer algo assim.
💚 Haverá momentos e lugares que os dois vão pensar o quanto o(as) filho(as) iriam curtir estar ali (isso sempre acontece com a gente!). Nada de tristeza nessa hora! Foco no que eles não iriam gostar e vocês estão amando. Eu, por exemplo, aproveito demais as refeições sem os malinhas, pois há mais de 9 anos não sei o que é comer sem alguém me interrompendo ou sem pedir algo exclusivamente do meu gosto. Saudade dá e passa, quando chegar em casa passa de vez!
💚 Se for possível, faça um teste de como seria ficar longe das crianças, caso nunca tenha se separado deles - "ensaie" por uma noite, ou um fim de semana, só que por perto, pois se algo der errado é possível ir buscá-los. É um bom termômetro para ver como todos vão se sentir e quais ajustes precisam ser feitos em caso de uma viagem mais longa (em distância e em tempo). Nem preciso dizer que planejamento é tudo, certo? É bom se antecipar a doenças e outras surpresas que possam acontecer com você longe.
💚 Converse muito com as crianças sobre como será o período sem eles, mas sem passar ansiedade. Diga sempre como vai ser legal ficar com os avós/tios/quem quer que for tomar conta deles. Reforce que a viagem tem data de ida e de volta, e que tudo bem ficar um pouquinho triste se der saudade - o meu caçula sente mais e costuma sentir minha falta principalmente à noite, mas já conversamos bastante sobre isso. Aproveite e nomeie os sentimentos - amor, saudade, ansiedade, (im)paciência - todos vão sentir um pouco deles, e tudo bem, faz parte da vida. Na volta haverá muito o que contar uns para os outros, mais muitos beijinhos e abraços e colos para matar a saudade!

A primeira viagem que fizemos a dois, depois das crianças, foi em 2012, quando estava grávida do meu caçula e minha malinha mais velha tinha somente 2 anos. Uns meses antes da viagem ela passou 2 dias com os avós, uma espécie de test-drive, pra vermos como ela se comportava. Ela sempre foi mais desapegada e amava ficar com os avós, mas por ser pequenininha eu fiz uma lista de "instruções", com horários de dormir e comer, e tudo correu maravilhosamente bem - quem sofreu mais fui eu, de saudade dela!
Depois disso já fizemos várias outras: alguns dias em Minas, conhecendo São Thomé das Letras, Tiradentes e São João del Rei; um fim de semana em Campos do Jordão; uma semana entre Argentina e Uruguai, nossa viagem mais longa, em comemoração aos nossos 10 anos juntos; 2 dias em Andradas e Espírito Santo do Pinhal, no começo do ano; um fim de semana em São Francisco Xavier, aqui pertinho, mais uma vez celebrando nosso aniversário. Isso tudo fora as escapadas de fim de semana para casamentos, shows e outros compromissos que não levamos os dois.
Reforço aqui que a experiência é fantástica! Para nós funciona muito bem - renovamos nossa parceria, curtimos a companhia um do outro, matamos a saudade de como era quando éramos só nós dois, descansamos a cabeça das preocupações e da rotina familiar. Acredito muito que nosso equilíbrio individual e nossa alegria como casal são importantes para a harmonia da família toda. Ache seu ritmo, comece aos poucos se falta coragem, mas arrisque! Garanto que vai ser ótimo e todos sobreviverão sem sequelas (e bem felizes!) 😉

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