MASP + Avenida Paulista com crianças

Não é novidade pra quem acompanha esse bloguinho que somos muito fãs de museus de todos os tipos - históricos, tecnológicos, a céu aberto, de arte - é só ver a quantidade de posts que temos sobre isso e como defendemos que museu é lugar de criança.  Justamente por esse entusiasmo tinha que haver um post especial na semana em que o IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus) promove a Museum Week, que termina no dia 18 de maio, Dia Internacional dos Museus. Este ano o tema é Museus como Núcleos Culturais: o Futuro das Tradições e serão mais de 3 mil eventos previstos para acontecer a semana toda - para ver a programação completa pelos museus do Brasil é só clicar neste link aqui: Guia da Programação Completo.
Conhecíamos já vários museus bacanas em São Paulo mas faltava um especialíssimo, que fica localizado na avenida mais famosa da capital e que é sempre ponto de encontro em manifestações populares: o MASP - Museu de Arte de São Paulo. Quem nunca viu no jornal o "vão do MASP" cheio de gente? Aproveitamos um domingo, quando a Avenida Paulista fica fechada para veículos e tomada por músicos de rua, feirinhas, bicicletas e gente, muita gente, para conhecer o MASP e passear por ali.
Primeiro cabe contar um pouquinho da história do MASP: localizado na Av. Paulista desde 1968, o prédio projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi por si só é uma obra icônica, misturando concreto e vidro. O famoso vão foi pensado de propósito, para que se tornasse uma espécie de praça para a população. Em 2017 o museu estabeleceu como missão ser "diverso, inclusivo e plural", por isso desde então são várias as exposições abordando sexualidade, feminismo e heranças africanas, além do seu acervo permanente.
Escolhemos a exposição Tarsila Popular, prevista para ficar até o final de julho/2019, com as obras da maravilhosa Tarsila do Amaral - mundialmente conhecida por ter sido uma das figuras principais do modernismo brasileiro. Os malinhas já tinham estudado algumas de suas obras nas aulas de artes na escola e adoraram a oportunidade de vê-las pessoalmente (eu confesso que também fiquei encantada!)
Já adianto que, como na maioria dos programas na capital paulista, é preciso se armar de paciência. Havia uma fila imensa para comprar os ingressos, depois nova fila para entrar na exposição - contabilizando aí uma boa hora e meia que, com crianças, vira uma eternidade. É possível comprar os ingressos online pelo site, mas como tínhamos um voucher de desconto tínhamos que pagar no guichê mesmo. Os pontos positivos foram que, após uns 20 minutos de fila, uma pessoa que organizava a entrada nos encaminhou para uma fila preferencial porque estávamos com crianças, que acabou andando um pouco mais rápido. E depois que entramos, durante a espera pudemos comprar algumas coisinhas para comer no café que fica lá dentro, o que ajudou a enganar a fome e distrair um pouco.
Mas a escolha da exposição não podia ser mais acertada, as obras da Tarsila, em sua maioria, são muito vibrantes, com formas arredondadas e cores vivas. Não tem como não gostar, por mais ignorante em arte que a pessoa seja. Acho que toca especialmente as crianças - os meus malinhas amaram, e foram intermináveis as discussões sobre qual obra mais gostaram.
Eu adorei ver o Abaporu de pertinho! Sabiam que é a tela brasileira mais valorizada no mercado mundial de artes, com valor estimado em USD 40 milhões? Hoje ela faz parte do acervo do Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires.
Outra obra bastante famosa que faz parte da exposição e que geralmente aparece nos livros é a tela Operários, que pertence ao acervo do Governo do Estado de São Paulo. Há também esboços a lápis que a pintora fez antes de efetivamente pintar algumas obras. Aproveitamos para explicar aos malinhas a importância de planejar antes de fazer algum projeto, pois até os artistas fazem isso. Tivemos também que lembrá-los várias vezes da distância a ser mantida das telas - havia uma faixa no chão que não se podia ultrapassar - pois na empolgação eles quase beijavam os quadros 😃 Foi sem dúvida uma super experiência pra eles! 
Aos domingos há uma feira de antiguidades no vão do museu, com barraquinhas vendendo de tudo: louças, roupas, moedas e cédulas, objetos pessoais de todo tipo. Eu particularmente não gosto muito, fico imaginando de quem foram aquelas coisas, mas marido adora e poderia passar horas examinando barraca por barraca. Ele aproveitou enquanto estávamos na fila para entrar no MASP para dar um rolê sozinho na feira.
Saímos do museu e fomos caminhando pela avenida por alguns quarteirões até o Conjunto Nacional, considerado um dos cartões postais da Paulista. Trata-se de um edifício e centro comercial com mais de 60 anos de idade, que abriga um pouco de tudo - lojas, restaurantes, cinemas, teatro e a Livraria Cultura, que era meu objeto de desejo, considerada a maior livraria em área construída da América Latina.
Eu amo uma livraria e essa é especialmente linda, toda em desnível, com uma quantidade absurda de livros e uma área infantil maravilhosa. Lógico que estava lotada mas passamos um tempão ali. Malinhas amaram!
E o que dizer da caminhada na Paulista? Para crianças que vivem na bolha que meus malinhas vivem - cidade menor, amigos com famílias parecidas com a nossa, que moram em um bairro bonito e bem cuidado - é uma lição de diversidade. Tem gente de todas as cores, tatuagens e cabelos; gente que está na cara que tem muito dinheiro e sem-teto dormindo nos cantinhos dos prédios; artesãos indígenas puramente brasileiros e outros imigrantes; casais de todos os tipos. Eu adoro essas situações que nos permitem ampliar a visão deles e conversar sobre como o mundo é diversificado. Foi um passeio muito bacana que certamente vamos repetir, pois ainda há muito pra conhecermos na Paulista.

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