Dicas básicas para curtir trilhas com crianças

Este é um post que venho planejando há tempos, mas tinha medo de dar a impressão errada que somos experts em trilhas 🏃🏃
↠ se é isso que você, leitor(a), está buscando, super indico o blog Os Caminhantes, uma família realmente especialista em trilhas no Brasil e no mundo, que carrega suas crianças (hoje adolescentes) há mais de 10 anos por aí ↞
Mas se você é como a gente e simplesmente gosta de viajar, de ecoturismo leve e quer desfrutar da natureza com suas crianças, seu lugar é aqui mesmo. E já adianto que não, nenhuma dica aqui envolve acampar, ok?
O gosto por trilhas e ecoturismo em geral começou de levinho por aqui. Eu sozinha nunca apreciei muito caminhadas que não envolvessem uma praia no final, onde pudesse passar o resto do dia descansando. Podia caminhar quilômetros na cidade - como fiz em diversas viagens, sem reclamar - mas muito verde com o risco de topar com criaturinhas voadoras (e/ou saltadoras e/ou rastejantes) não me atraía em nada. Mas, como em tantos outros aspectos, a maternidade me mudou e com os malinhas eu queria que fosse diferente - eles são crianças de apartamento e o contato com ar livre acaba sendo pouco, por mais que contem com parques e espaço aqui no próprio condomínio onde moramos.  Então qualquer contato com a natureza que eles tenham já é super lucro, além de ser uma oportunidade da gente conversar sobre preservação do meio ambiente, de diversidade de fauna e flora, de geografia, de coisas que eles estão aprendendo na escola... não houve um único passeio que não tenha se tornado um grande aprendizado, pra eles e para nós. Por conta disso, ecoturismo virou parte dos nossos roteiros e acabamos fazendo vários passeios com esse intuito - e novamente enfatizo, estamos longe de ser especialistas mas já dá para compartilhar algumas dicas para quem quer começar a se aventurar com as crianças por aí!

👉 Dica 1Boné, tênis resistente (de preferência aquele que já está bem molinho e não vai machucar o pé), repelente e água (e alguma coisa pra comer, porque nunca é demais!) - isso é mais que suficiente para as trilhas e passeios que já fizemos e indicamos. Esqueça aquela tralha toda que se vê em lojas de material esportivo e assusta qualquer um, isso é para os mais avançados. E nunca, jamais, em tempo algum, exagere na espontaneidade e se aventure a caminhar de chinelo com as crianças! Fico chocada quando vejo gente de chinelo, sandália ou bota de salto no meio do mato 😲 E é sempre bom um dos pais levar uma mochila para carregar garrafinha de água, protetor solar e o repelente - e mais as coisinhas que os pequenos forem recolhendo no caminho (aqui eles adoram pedrinhas!) 

👉 Dica 2 - Comece com trilhas curtas e pavimentadas - há muitos parques e museus a céu aberto por aí onde se pode até levar os pequenos no carrinho, de tão tranquilas que são (no final do post tem uma lista). Sempre desconfie da classificação "trilha fácil", porque normalmente são fáceis para quem já está acostumado a andar, mas não para perninhas curtas, sedentários de carteirinha ou portadores de chinelos havaianas. Observe as pessoas que estão voltando da trilha, verifique se são do tipo profissionais ou só pessoas comuns ofegantes. Jamais confie no "tranquilo" de uma pessoa toda preparada com equipamentos da seção "trilhas" da Decathlon - pois pode até ter sido tranquilo pra ela, o que não significa que será tranquilo para você e suas crianças. Perguntas diretas do tipo se há pedras escorregadias ou algum obstáculo (tipo água) no caminho podem ser bem mais instrutivas do que perguntar se está perto ou se a trilha é difícil.

👉 Dica 3 - Vá conversando sobre o que estão observando na trilha. Tipo de vegetação e relevo, insetos, animais que vivem por ali, cachoeiras e rios. Os pequenos gostam de parar e observar teias de aranha, flores diferentes, tentar ver macaquinhos e pássaros nas árvores - é preciso ter paciência e ir no ritmo deles, afinal não é uma corrida e o intuito é apreciar a natureza. Essa é a parte que mais gostamos quando estamos com os nossos malinhas, eles acabam vendo e percebendo coisas que passariam batido por nós adultos - assim como aprendem a apreciar detalhes simples: o céu azul sem nuvens, o formato das pedras, as florzinhas nascendo nos cantinhos.

👉 Dica 4 - Respeite as limitações das crianças e as suas também. Eu sou do tipo medrosa e tenho medo de altura, então dificilmente me arrisco em beiras de pedra ou lugares que me sinto insegura - não há necessidade nenhuma de bancar a heroína nessas horas. Marido que é mais aventureiro se responsabiliza pelos malinhas e normalmente leva um de cada vez aos pontos mais altos, enquanto eu paro e cuido do que ficou. Ah, e não é vergonha nenhuma desistir no meio do caminho e voltar, se achar que está difícil demais. Já aconteceu conosco mais de uma vez.

👉 Dica 5 - Ajude, incentive e elogie os esforços. Dê as mãos nos trechos mais difíceis, ensine a agachar quando achar que o solo está escorregadio e que cair e se sujar faz parte, assim como parar e descansar um pouco se for preciso. Seja solidário(a) e diga que também se cansa mas que vale a pena.

👉 Dica 6 - Bebês requerem preparo físico extra, a não ser que seja uma trilha pavimentada e dê para usar carrinho. Caso contrário, é colo mesmo, podendo ser facilitado com canguru ou sling (que ainda assim é colo). É bom ir acostumando desde cedo, mas os maiorzinhos curtem mais - os malinhas, agora com 9 e 6 anos, andam bem sozinhos, conseguem apreciar os passeios e conversar sobre tudo (e também já conseguem reclamar bastante, mas isso já é outra história).

👉 Dica 7 - Trilhas guiadas são bacanas, já fizemos algumas e dependendo do lugar realmente vale a pena ter um guia. Meus malinhas adoram fazer perguntas e ter alguém ali disponível e sabendo as respostas é legal. Mas não é preciso começar assim, dá também perfeitamente pra fazer trilhas por conta, se informando antes de ir e trocando figurinhas com quem já conhece o lugar.

Aqui uma listinha de lugares bacanas que a gente recomenda, por grau de dificuldade:

↬ Bem fáceis e pavimentadas ↫
⇢ Acesso à Ilha da Usina, em Salto (SP) - após a ponte, o caminho é suspenso na mata, uma experiência bem bacana - Memorial do Rio Tietê e Complexo da Cachoeira em Salto com 2 malinhas
⇢ Trilha em volta da Represa do Cupini, dentro da área do Museu da Água em Indaiatuba (SP)Museu da Água em Indaiatuba
⇢ Caminho das esculturas de bronze no Museu Felícia Leirner, em Campos do Jordão (SP)Museu Felícia Leirner em Campos do Jordão
⇢ Trilha guiada do Refúgio Biológico Bela Vista, dentro do Complexo de Itaipu em Foz do Iguaçu (PR) - a trilha tem cerca de 2 km e é plana, com alguns trechos de terra e outros pavimentados, e conta com várias paradas para descanso e explicações. Os malinhas lembram até hoje do guia dando dicas de como se portar caso topássemos com uma onça - Itaipu Binacional: 1 dia com 3 malinhas

↬ Bem fáceis e curtinhas, mas de terra ↫
⇢ Trilhas do Parque Municipal da Pedra Montada em Guararema (SP), um local bem estruturado que além das pedras equilibradas uma em cima da outra, tem ainda uma com cara de tubarão - Roteiro em Guararema com 2 malinhas
⇢ Dentro do Parque Natural Municipal em Petrópolis (RJ), duas trilhas de 800m de mata atlântica no meio da cidade - Roteiro em Petrópolis: 4 dias com 2 malinhas
⇢ Trilhas do Parque Lage, no Rio de Janeiro (RJ), levam a cachoeiras e ruínas misteriosas - Rio de Janeiro a 4 - o básico com crianças
⇢ Trilha para a Cachoeira Eubiose, em São Thomé das Letras (MG). Os malinhas não estavam conosco, mas eles adorariam - Minas Gerais a dois - a mística São Thomé das Letras
⇢ Os caminhos do Lavandário em Cunha (SP). Algumas subidas e descidas leves, com vista maravilhosa - Lavandário em Cunha com 2 malinhas
Parque da Rocha Moutonée, em Salto (SP), ainda conta com a graça de ter várias réplicas de dinossauros no caminho - Malinhas em Salto (SP) - Uma volta na terra natal
⇢ Trilhas do Horto Florestal em Campos do Jordão (SP). Um parque com bastante estrutura e que conta com várias pequenas trilhas - Dicas de Campos do Jordão - com e sem malinhas
⇢ Caminho da vila de Abraão para a Praia Preta, em Ilha Grande (RJ). Super plana e fácil, e com sorte ainda dá para ver os macaquinhos no caminho - Ilha Grande (RJ) com 3 malinhas

↬ Trilhas de verdade, que exigem mais fôlego ↫
⇢ Trilha da Vila de Abraão até Abraãozinho, também em Ilha Grande (RJ). Foi uma das nossas primeiras trilhas de verdade e uma experiência muito legal com os malinhas - Ilha Grande (RJ) com 3 malinhas
⇢ Caminho da Praia do Pouso, onde atracam os barcos, até Lopes Mendes, em Ilha Grande (RJ). Daquelas classificadas como fáceis mas que podem ser bem puxadas para os pequenos (e grandes também). Mas não tem como ir à Ilha Grande e não conhecer Lopes Mendes, por isso vale o esforço (e ainda estávamos de chinelo!) - Ilha Grande (RJ) com 3 malinhas
⇢ Caminho para a Pedra do Bauzinho, no complexo da bem famosa Pedra do Baú, em São Bento do Sapucaí (SP). Mais puxadinha, com alguns trechos íngremes, e a graça de estar entre os estados de SP e MG - Malinhas na trilha: trilha do Bauzinho em São Bento do Sapucaí
⇢ As trilhas da Pedra Redonda e do Chapéu do Bispo, em Monte Verde (MG). Daquelas consideradas "fáceis", mas que tem trechos bem íngremes. A vista, no entanto, compensa muito! Vale dizer que para chegar no ponto inicial de carro já pode ser complexo se tiver chovido nos dias anteriores - Monte Verde com 2 malinhas
⇢ Trilhas da parte baixa do Parque Nacional de Itatiaia, em Itatiaia (RJ). Até o Complexo do Maromba é bem tranquilo, tem até escadas com corrimão que dão acesso à Piscina do Maromba. Mas a trilha para a Cachoeira Véu de Noiva é outro daqueles casos fáceis não tão fáceis: apesar de não ser longa tem muitas pedras - Itatiaia e Penedo em um fim de semana com 2 malinhas

↬ Trilhas que desistimos no meio do caminho ↫
⇢ Trilha para a Cachoeira da Feiticeira, em Ilha Grande (RJ). Seguimos bem até o Aqueduto e o Poção, que é a parte fácil, mas depois a subida é íngreme e desistimos. Quem sabe numa próxima oportunidade? - Ilha Grande (RJ) com 3 malinhas
⇢ Fracasso pessoal: desisti de chegar até o Mirante do Cruzeiro, uma das trilhas da pousada Pouso do Rochedo em São Francisco Xavier (SP), porque me faltaram forças... Certeza que os malinhas teriam conseguido! (estávamos só marido e eu nessa viagem) - São Francisco Xavier - dicas de pousada, trilhas e restaurantes

Tem mais dicas? Contem aí pra gente nos comentários!👇👇👇

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