Casa da Ipiranga - um passeio obrigatório em Petrópolis

⇉⇉⇉ É com muita tristeza que acabamos de saber que a Casa da Ipiranga fechou as portas para visitação, a partir de 19/4/2019, por falta de recursos 😢 A notícia pode ser conferida neste link. Nos solidarizamos com o Celso Carvalho, diretor da casa e nosso guia durante a visita, e esperamos que esse cenário mude e ela reabra num futuro próximo. ⇇⇇⇇

Petrópolis tem lugares super famosos e muito visitados, que constam em qualquer lista de atrações na cidade: o Museu Imperial, o Museu Santos Dumont, o Quitandinha...
Conhecemos e nos encantamos com todos eles, mas sem dúvida o lugar mais especial dessa viagem foi a Casa da Ipiranga - por vários motivos: entramos lá sem grandes expectativas e tivemos a grata surpresa de sermos guiados por um dos descendentes do dono da casa, que nos deu detalhes da sua família, nos contou das dificuldades em mantê-la, nos deu dicas preciosas da cidade e descreveu o lugar como só alguém que realmente ama aquele lugar poderia.
↠↠ post com nosso roteiro completo aqui: Roteiro em Petrópolis: 4 dias com 2 malinhas ↞↞
A Casa da Ipiranga tem esse nome por se localizar na Avenida Ipiranga, uma das mais conhecidas do centro histórico de Petrópolis, e onde ficam outras atrações como a Igreja Luterana, a casa de verão de Rui Barbosa e o Parque Natural de Petrópolis. Ela é conhecida também como Casa dos 7 Erros (porque um lado da fachada não é exatamente igual ao outro) ou Mansão Tavares Guerra (nome de seu proprietário original). É considerada uma das 4 únicas casas particulares do século XIX no Brasil ainda em estado original e foi pioneira na cidade em alguns aspectos: foi a primeira casa de Petrópolis a ter energia elétrica e na sua estrebaria ficava o primeiro relógio de torre. E até 1979 a família ainda passava temporadas ali.
Na antiga estrebaria hoje funciona um restaurante bem bacana, o Bordeaux Vinhos & Cia, citado neste post aqui: 5 lugares para comer em Petrópolis - inclusive foi procurando um restaurante para jantar que encontramos a casa, por isso só conseguimos vê-la à noite.
O Celso, sobrinho-bisneto do Sr. José Tavares Guerra, hoje é o responsável pela manutenção dela e pelas visitas guiadas. Para ajudar nos custos, ele promove eventos de música e apresentações numa das salas da casa. Foi ele quem nos recepcionou e contou tudo que aprendemos.
Começamos sabendo que o tal Tavares Guerra era abolicionista e republicano convicto, por isso se recusou a utilizar mão-de-obra escrava na construção e só trabalharam nela  imigrantes que vieram da Europa (ele poderia ter utilizado ex-escravos? talvez, mas não perguntamos). Também vieram da Europa praticamente todos os materiais para construção da casa - mármores, espelhos, papéis de parede, piso, móveis - e não por esnobismo, mas porque não haviam essas matérias-primas disponíveis no Brasil da época. A casa levou 5 anos para ficar pronta, sendo finalmente entregue em 1884.
O jardim é maravilhoso, considerado hoje o único do Brasil ainda em estado original e foi projetado pelo mesmo paisagista de D. Pedro II - que foi o primeiro a usar a flora brasileira em seus projetos.
Quem conduz a visita guiada é o Celso, como já contei acima, e ele abre a casa normalmente de sexta a domingo, a partir das 14h (em caso de feriados, como foi o caso da nossa visita, os horários são diferenciados), e o valor é R$ 10 por adulto (crianças até 7 anos não pagam). Assim como no Museu Imperial, os visitantes são obrigados a proteger os sapatos para não danificar o piso durante a visita, e utilizamos umas sapatilhas descartáveis que o próprio Celso disponibiliza.
A visita começa pelo Salão Dourado, logo à direita da entrada, que funcionava como uma espécie de sala de festas ou de visitas. Ela tem esse nome porque todas as paredes são revestidas de tecido dourado, e o lustre é uma réplica dos que existem no Palácio de Versalhes, feito de bronze e banhado a ouro. Há também vários anjinhos espalhados pelo teto, nessa e nas outras salas, pois a Sra. Tavares Guerra era muito religiosa e acreditava que os anjos protegeriam a casa.
Os detalhes são impressionantes e primorosos, até mesmo a maçaneta da porta é linda!
Ao lado, a próxima sala é o Salão Vermelho, ainda mais luxuosa: o papel de parede é feito com pó de ouro, e as paredes, nos cantos próximos ao teto, têm adornos em forma de instrumentos musicais  - também folheados a ouro.
O teto dessa sala é uma atração à parte, e representa um álbum de viagens do proprietário: há representações dos alpes suíços, do Egito, da Índia... os malinhas adoraram essa parte! Nessa mesma sala ficam vários retratos de família e uma lareira adornada com mármore carrara e um gigantesco espelho de cristal Baccarat.
Do lado oposto a essas salas fica a Sala de Jantar, toda revestida de jacarandá, e que hoje é utilizada para as apresentações e concertos promovidos ali. Eu adorei essa sala pois ali ficam também algumas preciosidades históricas: um gramofone, fotos antigas da própria casa (inclusive a primeira foto dela depois de pronta) e dos membros da família, uma maquete da casa, e novamente um lustre repleto de detalhes.
Subindo as escadas para o primeiro andar pode-se visitar os quartos, com parte da mobília original. Adoramos os soldadinhos de chumbo e outros brinquedos que ficam expostos numa cristaleira. E como a luz ali em cima é bem fraquinha, as fotos ficaram com uma aparência de casa mal-assombrada que os malinhas amaram!
O segundo andar, onde fica a capela, está fechado à visitação e não pudemos conhecer, infelizmente. Ficamos muito tocados com o amor e dedicação do Celso para manter esse legado de família, e adoramos como ele nos contou tantas histórias dos parentes que ali viveram. Toda nossa admiração e apoio para ele. Nesses tempos tão sombrios de ignorância e falta de incentivo à cultura de modo geral, apoiar quem mantém a história viva é fundamental!

↠↠ Roteiro em Petrópolis aqui: Roteiro em Petrópolis: 4 dias com 2 malinhas
↠↠ Dicas imperdíveis de onde comer em Petrópolis mereceram um post especial: 5 lugares para comer em Petrópolis


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