6 programas gratuitos em São Paulo

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

São Paulo tem fama de cidade cara - e realmente pode ser, dependendo da sua programação. Mas assim como outras metrópoles, São Paulo também é bem democrática e é possível fazer programas deliciosos sem gastar um centavo. Abaixo uma lista de lugares gratuitos que já testamos e aprovamos 👇

1) Avenida Paulista
Ah, esse símbolo da cidade é sempre referência quando pensamos em São Paulo! Aos domingos a Avenida Paulista se fecha aos carros e é tomada por bicicletas, patinetes e pedestres, feirinhas e bandas de música para todos os gostos. Gente de todas as cores e línguas, famílias de todas as configurações, um lugar perfeito para mostrar diversidade real para as crianças. E ao longo da avenida há muito que ver e visitar também de forma gratuita: a Igreja São Luís Gonzaga, o Instituto Moreira Salles e suas exposições maravilhosas (além da sua perfeita vista para a avenida), o Conjunto Nacional e a Livraria Cultura que fica lá dentro, a feira de antiguidades no vão do MASP... a lista é extensa.
Já fomos diversas vezes andar pela Paulista e numa delas combinamos uma visita ao MASP e à Livraria Cultura, que gerou esse post aqui: MASP + AVENIDA PAULISTA COM CRIANÇAS


2) Parque do Ibirapuera
O Parque do Ibirapuera é outro símbolo de São Paulo com entrada gratuita. Um dos locais mais fotografados no mundo e um dos parques mais visitados da América Latina, tudo neste quadrilátero com mais de 150 hectares de área é enorme. Dentro dele há diversos pavilhões, sendo os mais famosos o Pavilhão da Bienal e a Oca, que têm sempre uma programação de exposições muito interessantes; há museus, como o Museu de Arte Moderna (MAM), o Museu de Arte Contemporânea (MAC) e o Museu Afro-Brasil; há um ginásio e um planetário; há monumentos, como o famoso Obelisco e o Monumento às Bandeiras; além de um conjunto de lagos lindos, cheios de aves. Mas dá também só pra caminhar, pedalar ou andar de patins, fazer um piquenique, levar as crianças num dos vários parquinhos, ou fazer uma caminhada monitorada (que necessita agendamento prévio e tem o custo de uma doação para o parque). 
No mês de dezembro o Ibirapuera ganha ainda um charme especial: uma linda árvore de Natal na beira do lago, além de shows de luzes em alguns horários pré-determinados.
Todas as informações sobre o parque, como o mapa, entradas, horário de funcionamento e agenda de eventos podem ser encontradas no site Parque Ibirapuera Conservação.


3) Parque da Luz e Estação da Luz
Localizados no bairro do Bom Retiro, a Estação da Luz e o Parque da Luz (que fica em frente à estação) são símbolos de uma São Paulo antiga e tradicional que cresceu com a riqueza do café.  Por décadas o relógio da torre da estação foi referência para os demais relógios da cidade e de seus moradores, e os seus contornos dominavam a paisagem. Projetada por um arquiteto inglês e inaugurada em 1867, a estação passou por várias reformas e modificações - inclusive uma alteração importante no edifício nos anos 2000 para abrigar o Museu da Língua Portuguesa, que acabou pegando fogo em 2015 e tem previsão de reabertura em 2020 - mas sempre mantendo suas linhas originais. Hoje a estação é a segunda mais movimentada da cidade e atende o metrô e os trens da CPTM.
Já o Parque da Luz, originado de um Horto Botânico no início dos anos 1800, é o parque público mais antigo de São Paulo - anterior à estação, foi aberto ao público em 1825. Possui lindos jardins e abriga várias espécies de aves, e ainda conta com espelhos d'água e diversas esculturas espalhadas ao longo dos caminhos. Já foi muito mal frequentado mas passou por um processo de revitalização importante e hoje é possível passear por ele sem sobressaltos (embora seja bom ficar bem atento, pois a região ainda tem muitos mendigos e usuários de drogas).
E para fechar o passeio, ainda é possível visitar a incrível Pinacoteca do Estado, que fica junto ao parque, e o Museu de Arte Sacra, localizado do outro lado da avenida.
Para saber mais, tem a página do Jardim da Luz no site da Prefeitura de SP, e o post do nosso passeio pela região aqui: SÃO PAULO - 7 DICAS DE PASSEIOS COM CRIANÇAS

4) Beco do Batman
Uma galeria de grafites que surgiu por acaso em meio às vielas do boêmio bairro da Vila Madalena: esse é o Beco do Batman. Lá pelos idos dos anos 80, surgiu um desenho do homem-morcego num dos muros do bairro e tudo começou - estudantes de arte e artistas plásticos começaram a disputar os espaços nos muros e paredes, dando origem à fama. Aos domingos a principal rua dos grafites (a Medeiros de Albuquerque) fica tomada por barraquinhas vendendo artesanato e comida, uma delícia de passeio. Há também grafites e desenhos espalhados por outras ruas, e vale a pena perambular por ali sem pressa. Como os grafites são trocados de tempos em tempos, a cada visita o visual é diferente - e as fotos ficam lindas! E quando cansar, dá pra parar num dos vários barzinhos e restaurantes das redondezas.
Tem post nosso contando mais aqui: BECO DO BATMAN, UM REDUTO DE STREET ART EM SÃO PAULO


5) Museu de Zoologia da USP
Um museu que é um prato cheio para crianças (e adultos) que gostam de ciências! Se a preferência for por dinossauros e/ou animais pré-históricos então... O Museu de Zoologia da USP fica localizado no bairro do Ipiranga, numa casa antiga pertinho do Parque da Independência e do Museu do Ipiranga (cuja reabertura está prevista para 2022). O foco do museu é a biodiversidade, fruto da evolução dos seres vivos. Para os dinolovers, há réplicas de esqueletos de um carnotauro e de um tapuiassauro, um legítimo dino brasileiro, além de animais taxidermizados e uma sala cheia de insetos, peles de animais, ossadas e outras coisas que vão encantar os pequenos. Para os mais velhos, ver os ancestrais dos animais atuais é uma aula e tanto.
O museu promove muitas atividades também gratuitas, especialmente durante as férias escolares, e a agenda pode ser acessada pelo site MZUSP.
Mais detalhes da nossa visita no post sobre o Museu de Zoologia aqui: PASSEIOS ANIMAIS EM SÃO PAULO: MUSEU DE ZOOLOGIA DA USP E INSTITUTO BUTANTAN


6) Casa Melhoramentos
A Casa Melhoramentos foi inaugurada em 2018, no aniversário de 128 anos da Companhia Melhoramentos - uma das indústrias papeleiras mais antigas do Brasil e presença marcante no mercado editorial. Esse antigo prédio na Lapa abriga a sede da empresa no último andar mas passou a funcionar também como espaço cultural após uma reforma profunda, onde a fachada antiga foi mantida e o interior completamente renovado e modernizado. Vale dizer que o prédio é lindo por dentro.
Tivemos a chance de visitar a maravilhosa exposição Planetas de Ziraldo (parte das comemorações de 85 anos desse autor tão querido), que ficou em cartaz até meados de 2019. Mas a Casa tem sempre uma programação cultural super bacana que pode ser conferida diretamente no site e nas suas páginas no Facebook e Instagram. Já deixo a dica da programação desse Natal de 2019, que está maravilhosa!
Para saber mais da nossa visita, tem os detalhes neste post: VISITANDO A CASA MELHORAMENTOS EM SÃO PAULO

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👉 Quer mais sugestões de passeios em São Paulo? Tem muitas neste post aqui:

👉 Gosta de levar as crianças em museus? Nós também! E tem um post aqui com os nossos preferidos: Museu é lugar de criança sim!

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Campos do Jordão com crianças: Parque do Capivari

domingo, 24 de novembro de 2019

A gente adora Campos do Jordão e com frequência fazemos um bate-volta para passear por lá (moramos em São José dos Campos, a cerca de uma hora de carro de Campos). Na nossa última ida à cidade passamos algumas horas no novo Parque do Capivari.
A área de mais de 40 mil m2 ocupada pelo atual Parque do Capivari pertence à Estrada de Ferro Campos do Jordão e foi entregue à iniciativa privada desde junho de 2019. Foi totalmente revitalizada e ganhou uma porção de atrações adicionais, além dos já existentes teleférico e pedalinho.
Localizado no badalado bairro de Capivari, a entrada do complexo do parque fica ao lado da estação de trem e é gratuita, mas todas as atrações são pagas à parte - e é bom preparar o bolso, pois experimentar tudo pode sair bem caro, ainda mais que tudo é pago por tempo. Meu malinha menor ficou doido pelo pedalinho e foi com o pai, enquanto eu acompanhei a mais velha, que quis ir na tirolesa. 
Além da tirolesa, do pedalinho e do teleférico, há opções de patinação no gelo, tiro ao alvo e uma tenda somente de jogos e simuladores de realidade virtual. Todos os ingressos podem ser comprados em terminais eletrônicos dentro de uma área coberta, e há opção de alguns combos que saem mais barato que os ingressos individuais - por exemplo, a tirolesa e a escalada. Para se ter uma ideia de preço, o pedalinho custa 20 reais por meia hora; o teleférico, 25 reais; a patinação, 50 reais por 30 minutos ou 80 reais por uma hora (preços em setembro/2019). Vale ressaltar que há restrição de idade para algumas atrações, é preciso ficar atento às regras de cada lugar - o teleférico é um caso, pois como se tratam de cadeiras individuais, só é permitido a maiores de 12 anos.
Na mesma área do parque fica o Centro de Memória Ferroviária, com entrada gratuita e aberto apenas às sextas e sábados, que conta um pouco da história da Estrada de Ferro  de Campos do Jordão ao longo dos anos. É um local pequenininho mas com um acervo bem interessante, com destaque para uma antiga máquina a gasolina. Dentro da área do parque também há lojinhas vendendo aqueles tradicionais cachecóis e luvas, e alguns food trucks. 
Resolvemos subir de carro até o Morro do Elefante, ponto de parada do teleférico, que fica a 1800 m de altura. O morro recebeu esse nome porque de longe lembra vagamente a tromba de um elefante 🐘. O local virou ponto turístico bastante tradicional porque dali se tem uma vista panorâmica da cidade - é possível ver a Vila de Capivari toda e parte das Vilas Abernéssia e Jaguaribe.
No Morro do Elefante também é possível comprar ingressos para o teleférico e começar o passeio por ali. Uma curiosidade: o teleférico existe desde 1970!
Já fazia alguns anos que não íamos lá e apesar da linda vista e de ser um ponto turístico famoso, achamos o ambiente meio mal cuidado - a escultura do elefante, por exemplo, onde todos querem tirar uma foto, está precisando urgente de uma pintura, e havia lixo e pichações por todo lado. Vale mesmo pela vista da cidade.

👉 Como chegar:
O acesso principal ao Parque do Capivari fica após o calçadão da Praça São Benedito, atrás da Concha Acústica e ao lado da Estação Ferroviária, na Vila Capivari.

👉 Vai passar uns dias na cidade? Confira esses outros posts de Campos do Jordão:
6 LUGARES IMPERDÍVEIS EM CAMPOS DO JORDÃO
MUSEU FELÍCIA LEIRNER EM CAMPOS DO JORDÃO

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Beco do Batman, um reduto de street art em São Paulo

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Ah, a gente ama passear em São Paulo e não perde uma oportunidade de conhecer mais um lugar por lá! Aproveitamos um "vale-night" sem os malinhas para um compromisso na cidade num sábado à noite e esticamos o passeio no domingo de manhã pela Vila Madalena, para explorar o famoso Beco do Batman
Considerada uma galeria de grafite a céu aberto, as vielinhas sinuosas do bairro têm as paredes disputadíssimas pelos artistas - os grafites são temporários e renovados constantemente, por isso as fotos que vemos por aí são sempre diferentes.
A origem do Beco do Batman remonta lá dos anos 80, quando apareceu um desenho do famoso personagem em um dos muros do bairro. Desde então a região atrai artistas plásticos e estudantes de arte, que cobrem de desenhos todas as paredes por ali, o que combinou bem com o estilo meio boêmio da Vila Madalena.
Há muitos barzinhos e botecos de todo tipo nas redondezas, um convite a passear a pé e apreciar os desenhos com calma. Aos domingos, o beco fica tomado de barraquinhas vendendo artesanato de todo tipo, misturados ao comércio já existente.
Os desenhos se concentram na viela da rua Medeiros de Albuquerque, mas há outros grafites espalhados nas ruas próximas. As famosas asas de anjo, onde 10 entre 10 pessoas tiram foto e já mais símbolo do lugar que o próprio Batman, estão atualmente num muro na rua Harmonia.
Em resumo: um lugar que é a cara de São Paulo! Meio artista, meio boêmia, super alternativa, uma mistura de gente e estilos diversos. Um passeio delicioso e descompromissado, para perambular pelas ruas e ir apreciando e fotografando. Adultos e crianças vão amar!

👉 Localização:
Basta colocar "Beco do Batman" no Waze ou Google Maps que os aplicativos encontram o lugar correto. O endereço de verdade é Rua Medeiros de Albuquerque, 82-154, Vila Madalena.

👉 Como chegar:
Nós fomos de carro e não foi difícil encontrar um lugar para estacionar ali por perto, mas é bom ficar atento porque os flanelinhas dominam algumas áreas e chegam a cobrar até 30 reais para "olhar" o carro. Como o intuito é passear a pé, vale a pena estacionar um pouco mais distante e evitar os flanelinhas.
É possível também chegar de metrô, a estação mais próximas é a Clínicas.

👉 Vai se hospedar em São Paulo? O blog Garfo & Mala tem uma super dica de hotel na Vila Madalena: Selina Vila Madalena: Hotel mais Descolado de São Paulo

👉 Quer mais passeios em São Paulo? Tem muitos neste post aqui:
O que fazer em São Paulo com crianças: muitas dicas!

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Livros infantis para viajar sem sair de casa

domingo, 6 de outubro de 2019

Sou apaixonada por livros e poucas coisas me emocionaram tanto como mãe quanto ver meus filhos se alfabetizarem e descobrirem por si mesmos o prazer da leitura. Meu malinha mais novo está em pleno processo de alfabetização e já lê bastante coisa sozinho; a mais velha há tempos já é autônoma e inclusive tem suas preferências. Nestes tempos tão tomados pelos aparelhos digitais, não é nada fácil fazer as crianças se interessarem em ler - por isso é importante despertar neles esse interesse desde cedo.
Podia ficar horas aqui discorrendo sobre a importância da leitura, sobre como eu amo ler para mim e para os malinhas, o tamanho da nossa biblioteca ou como amamos uma livraria 💗📖💗 mas esse é um blog de viagens - portanto vou falar de livros para os pequenos leitores e como é possível "viajar" e conhecer outros lugares e culturas através de livros infantis muito bacanas. Daqueles que despertam a curiosidade para conhecer de fato os lugares, que mostram modos de viver diferentes dos nossos ou simplesmente contam detalhes muito peculiares de locais super famosos e turísticos.
Começamos pelo Brasil, e nada melhor do que a incrível fauna brasileira para chamar atenção dos pequenos, não é mesmo? A coleção Brasileirinhos, da dupla maravilhosa Lalau e Laurabeatriz, é de uma fofura sem tamanho e agrada todas as idades. Brincando com as palavras e com lindas ilustrações, cada página tem um poema curtinho dedicado a um animal brasileiro, acompanhada de um pequeno texto resumindo principais características, onde vivem e razões do desaparecimento da espécie - todos os animais que aparecem nos livros estão em risco de extinção. São 5 volumes: Brasileirinhos, Mais Brasileirinhos, Bem Brasileirinhos, Novos Brasileirinhos e Bebês Brasileirinhos
São excelentes para iniciar uma conversa sobre conservação do meio ambiente e a diversidade imensa de bichos que existe no Brasil, despertando a consciência dos pequenos desde cedo de uma maneira bem lúdica - além da vontade de ver os bichinhos de perto.
A família se expandiu para outros cantos do mundo e agora já podem ser encontrados também os livros Australianos, Africanos, JaponesinhosOba! Que frio!: Poesia para os bichos mais geladinhos do mundo, todos nesse formato com poemas fáceis de ler dedicados a um animal por página. Aqui temos 3 dos Brasileirinhos e o Australianos, que estão até gastos de tanto serem manuseados!

Mantendo a conversa no Brasil e evoluindo de fauna para biomas, existem duas opções bem bacanas: Além do Rio, do Ziraldo, e Diário de um Papagaio, novamente da dupla Lalau e Laurabeatriz
Bom, sou super fã do Ziraldo e adoro tudo o que ele escreve - e Além do Rio não foge ao "padrão Ziraldo de qualidade": suas ilustrações bem características e aquele jeito meio prosa meio poesia contam as impressões de um pequeno marciano descrevendo o rio Amazonas, da nascente ao encontro com o mar. Bem fácil de ler para aqueles que acabaram de ser alfabetizados, e as ilustrações meio minimalistas não distraem do texto, somente complementam - e deixam no ar aquela vontade de ver tudo aquilo ao vivo.
Já o Diário de um Papagaio: uma aventura na mata atlântica conta a história de um pequeno papagaio-de-cara-roxa que se perde de seu bando e vive uma porção de aventuras até reencontrá-los (sem dar spoiler, mas até traficantes de animais ele enfrenta). A gente viaja junto com ele, em meio às cidades, serras e áreas preservadas de mata atlântica. No final, um mapinha esquemático ilustra as voltas que o papagaio deu entre os estados de SP e PR, assim como um glossário ilustrado das árvores e passarinhos que ele encontra no caminho. As ilustrações são lindas e muito coloridas, e por se tratar de um livro mais longo eu recomendaria para aqueles que já lêem com mais autonomia, por volta dos 8 ou 9 anos, ou ler aos poucos junto com os mais novinhos.

Mas o Brasil não tem só floresta e bicho, que tal conhecer também um pouco dos nossos povos nativos e suas histórias maravilhosas? Na turma dos indígenas temos Poeminhas da Terra, Doze Lendas Brasileiras: como nascem as estrelas, e Contos da Floresta. Aqui adoramos essas histórias fantásticas e como os indígenas se utilizam da natureza para explicar fenômenos diversos.
O primeiro, Poeminhas da Terra, é de uma delicadeza só: os poemas fazem jogo de palavras com as palavras de origem indígena, que por sua vez brincam com as ilustrações. Uma delícia de ler e ver o tanto de palavras de origem tupi que foram incorporadas à nossa língua portuguesa. Falam de bichos, comidas e do modo de viver dos nossos índios, de uma maneira leve e bem fácil dos pequenos entenderem. Encantador!
Doze Lendas Brasileiras, escrito pela Clarice Lispector (que dispensa apresentações, não é mesmo?) tem um projeto gráfico incrível e prefácio da própria autora (escrito em 1976). Conta uma lenda por mês, de poucas páginas cada uma, completando as 12 do título. Uma viagem pelas lendas mais populares, do Saci ao Curupira, e mais outras não tão conhecidas. Livro lindo! E pode ser lido aos poucos, uma história por dia.
O último, Contos da Floresta, é para os mais crescidinhos e é um apanhado de contos escrito por um autor indígena da tribo Maraguá, do Amazonas. Essa tribo tem tradição em histórias fantásticas e assustadoras - mas as crianças adoram um pouquinho de medo, não? Minha malinha mais velha morre de medo das histórias mas vira e mexe está com o livro nas mãos novamente! Ao final, uma breve entrevista com o autor, onde ele conta como é ser índio no Brasil atualmente e um pouco da sua visão do país, das suas tradições e da importância da natureza. Ótimo para os maiorzinhos, e abre uma excelente oportunidade de conversar sobre os povos indígenas sem aqueles estereótipos de sempre.

E a gente sai do Brasil, atravessa o oceano e para na África, esse continente tão lindo e castigado por inúmeros fatores, desde os tempos da colonização, mas cheio de lendas e com uma cultura super rica.
Começo com um dos queridinhos daqui de casa: Obax, escrito e ilustrado pelo André Neves, um autor infantil incrível. Conta a história de uma menininha que mora numa aldeia no meio da savana africana e que adora contar histórias fantásticas, que ela jura serem verdadeiras, mas ninguém acredita nela. Ela então viaja pelo mundo junto com seu elefante Nafisa, em busca de uma chuva de flores. Um livro lindo e sensível demais, com lindas ilustrações do próprio autor, que já foi lido e relido aqui milhões de vezes - e que me fez responder à pergunta "o que é um baobá" também um monte de vezes 😃
Outro livro nessa mesma linha é Dois Fios. O menino Moussa "constrói" um trenzinho com caixas de papelão e viaja de sua aldeia até outra, onde mora seu avô, descrevendo o que vê e quem encontra no caminho de ida e volta. Uma viagem que acompanhamos e que nos emociona pela simplicidade da narrativa. Curtinho e com ilustrações delicadas que complementam perfeitamente a narrativa.
O terceiro, Diário de Pilar na África, é um livro de aventuras e com uma história mais complexa e cheia de detalhes. A heroína Pilar vai parar na África, na tentativa de salvar a família de uma princesa iorubá de traficantes de escravos. Em meio à aventura, pequenas explicações sobre momentos históricos (como o tráfico de escravos), animais, árvores, países, para ajudar o leitor a entender melhor o contexto da história. Um livro perfeito para os leitores que já têm autonomia, misturando aventura (que eles adoram), com história e geografia. Aliás, a Pilar é uma menininha muito viajada e a coleção inclui também diários de viagem à China, ao Egito, à Amazônia... estou louca para comprar os outros volumes!

E que tal passear pelas cidades mais famosas do mundo em lindas ilustrações, curiosidades e principais pontos turísticos? A série Proibido para Adultos, da Lonely Planet, traz exatamente essa experiência para os pequenos viajantes. 
Em formato de guia de viagem de cidades como Paris, Londres, Roma e Nova York, os livros têm ilustrações e fotos bem humoradas, um pouco de História e muitas curiosidades dos pontos turísticos. Minha malinha mais velha não esconde de ninguém o sonho de conhecer Paris (sonho esse que anda difícil de realizar, tamanho o valor do euro atualmente 😢) e devorou o de Paris assim que caiu no colo dela.
Mais lúdico e menos guia de viagem é a coleção Isto é.... Livros grandões, em capa dura, com ilustrações lindas dos principais pontos turísticos e do modo de viver dos moradores da cidade, sempre com bom humor - temos o Isto é Paris, mas assim como a série da Lonely Planet, existem o de Roma, de Nova York e de Londres, até onde sei. É como se realmente estivéssemos visitando a cidade e observando as pessoas e os lugares, uma abordagem bem bacana para os pequenos leitores.

Mas o mundo é tão grande e existe tanto o que ver! E quando se trata de culturas muito diferentes da nossa, a curiosidade é certa. Um tempo atrás, antes de Paris ser objeto de desejo, o Japão era a bola da vez aqui em casa e comprei esse livrinho fofo chamado Minhas Imagens do Japão. Nele é possível acompanhar o dia-a-dia de dois irmãos, enquanto eles apresentam diferentes aspectos do seu cotidiano: como é a casa e o quarto deles, como vão à escola, como é a escola, quais as comidas que comem, as principais celebrações... um pequeno retrato de como é a vida das crianças japonesas e seus hábitos, perfeito para mostrar às crianças que, embora com pequenas diferenças, crianças são crianças em qualquer lugar.
Outro livro fofo demais é O Touro Ferdinando. Com certeza muitos conhecem o filme  de mesmo nome e que é baseado neste livro - o filme é encantador mas tem uma história bem mais complexa, enquanto o enredo do livro é mais simples e cheio de delicadeza. Ferdinando é um touro que nasce no interior da Espanha mas que, ao contrário dos seus colegas, tudo que quer é ficar sentadinho cheirando as flores. Até que por um acidente ele é levado para Madri para participar de uma tourada. Um livro perfeito para conhecer um pouco desse aspecto cultural tão forte na Espanha, que são as touradas, e conversar sobre o choque entre a cultura e o respeito aos animais. Além de ser ótimo para falar de respeito às diferenças e que sensibilidade não é defeito.
Continuando o rolê pelo mundo, temos As Gêmeas de Moscou, do conhecido autor brasileiro Luis Fernando Veríssimo. Ele conta a história de duas irmãs gêmeas, bailarinas, que moram em Moscou. Uma delas sai de casa e viaja pela Rússia, chegando até a Bulgária, até finalmente voltar pra casa e reencontrar a irmã. Uma história sensível de família que tem como pano de fundo a Rússia, mas podia ser em qualquer outro lugar.
Muito divertido e com um formato super diferente é A Queda dos Moais. Conta a história do Joaquim, um menino que vai com a família de férias para a Ilha de Páscoa, no Chile, terra dos famosos moais. Mas não é uma narrativa convencional - para contar essa história os autores misturam e-mails, cartas, quadrinhos, artigos de jornal e ilustrações divertidíssimas. Um livro inusitado que vai agradar os fãs do estilo Capitão Cueca e perfeito para os mais preguiçosos, pois é muito fácil de ler.
Por último, um livro que é uma viagem pelo Paquistão e uma história de vida: Malala, a menina que queria ir para a escola é a versão juvenil da história de Malala Yousafzai, a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz e inspiração para crianças do mundo todo. De uma forma mais leve e com ilustrações e notas de rodapé que ajudam a entender os costumes e termos que podem ser bem estranhos às crianças, Malala conta sobre sua infância até o dia em que acorda no hospital já na Inglaterra, após ter levado um tiro no caminho da escola. Como é mais longo e a história um pouco mais complexa, é recomendado para leitores um pouco mais velhos.


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Explorar um interesse - no caso, viajar e conhecer outros lugares - pode ser um ótimo incentivo à leitura. Aqui temos mais algumas dicas:

👉 Assim como viajar, o hábito de ler tem que começar cedo, desde bebê. Vale oferecer aqueles livros bem resistentes, de banho ou de tecido, para que eles mesmos manuseiem à vontade, e os de papel deixar para ler com eles (pois há o risco que comam o papel - aqui os dois saborearam pequenos pedaços de livros quando eram pequenos!). Lembrando que, quanto mais novos, mais eles gostam de repetição - aqui tenho livros que sabia de cor e até sonhava com as histórias, de tanto que li e reli.
👉 Evite livros de personagens de tv ou cinema. Tenho pavor de produtos licenciados e na minha opinião não tem porque vincular uma coisa à outra, já que existe uma oferta maravilhosa de livros infantis de bons autores, com lindas ilustrações e histórias excelentes. Deixe as princesas e super-heróis nas telas e explore outros personagens com as crianças, afinal a Disney e a Pixar já faturam o suficiente.
👉 Deixe os livros que podem ser manuseados pelos pequenos à mão deles, de preferência numa prateleira mais baixa ou junto com os brinquedos que eles mais brincam. Aqui até hoje é assim, e olha que tive que abrir mais espaço nas prateleiras conforme as bibliotecas foram crescendo.
👉 Como pais e mães, a gente sabe que exemplo é o melhor incentivo, não é mesmo? Que tal deixar o celular pra lá um pouco e começar a ler mais? Pode ser uma ótima oportunidade de melhorar nossos hábitos também...
👉 Livros são caros, infelizmente, e não raro os livros infantis acabam sendo até mais caros que os adultos por conta do trabalho gráfico e da encadernação. Uma dica de ouro para comprar livros bons é acompanhar as promoções de grandes sites, como Amazon e Saraiva, e das próprias editoras, como Brinque-Book e Companhia das Letrinhas. Eu só compro livros em promoção, inclusive pra mim, pois não é difícil encontrar bons descontos. Épocas como Natal e Dia das Crianças também são excelentes para comprar.
Comprar livros usados ou usar redes de troca de livros, como o Skoob, também são ótimas opções. Os dois livros da Lonely Planet que citei acima consegui trocando pelo Skoob.
👉 Respeite os interesses, mas não deixe que a criança fique monotemática. Meu caçula, como já contei em outros posts, tem fixação por dinossauros - por isso sempre que pode escolher, acaba escolhendo um desse tema. O resto da família, sabendo que ele é um dinolover, também sempre acaba dando livros de dinos pra ele. Minha estratégia é oferecer outras opções, caso ele esteja junto comigo, ou simplesmente comprar livros com outros temas e dar para ele.
👉 Livros são um ótimo passatempo durante longas viagens de carro ou avião! Se eles não enjoarem, vale pedir que escolham alguns para levar consigo, juntamente com seus brinquedos preferidos. Oferecer livros que tenham a ver com a viagem também é uma ótima pedida para despertar o interesse deles pelos lugares que irão conhecer.
E vocês, têm alguma dica bacana pra dividir com a gente? Ou algum livro para indicar? Conta aí nos comentários! 👇


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