Roteiro na Recoleta: o que fazer e onde comer

A Recoleta é um dos bairros mais conhecidos e tradicionais de Buenos Aires, com muitas atrações e opções de hotéis e restaurantes, além de ser bem servido de estações de metrô. Optamos por ficar hospedados ali e foi um decisão acertada: é um bairro muito agradável!

---->>> nosso planejamento de viagem, hospedagem e roteiro estão aqui nesse post: Colônia del Sacramento e Buenos Aires - sem malinhas! - post geral <<<----


O que fazer

Um ponto super famoso e imperdível - embora muitos possam considerar meio sinistro - é o Cemitério da Recoleta, fundado em 1822 e onde estão enterrados muitos argentinos ilustres. Realmente é meio sinistro visitar um cemitério, mas esse não é qualquer cemitério - há todo um viés da cultura argentina muito interessante de se observar.
Há muitos túmulos que são verdadeiras obras de arte, outros que homenageiam famílias ilustres, muitos túmulos de militares e suas famílias (vale lembrar que a ditadura militar argentina conseguiu deixar mais marcas no país que a brasileira). Há também túmulos coletivos que homenageiam soldados mortos em determinadas batalhas e a celebridade mor daquele cemitério, parada obrigatória para todo visitante: o túmulo da Evita Perón, que é bem modesto para os padrões do local e está sempre coberto de flores.
Ao lado do cemitério fica a Igreja Nossa Senhora do Pilar. É a igreja mais antiga de Buenos Aires, fundada em 1732, tombada como Patrimônio Histórico Nacional, e teve seus antigos claustros transformados em museu e abertos ao público. Uma curiosidade: o Cemitério da Recoleta foi criado no terreno onde funcionava a horta da igreja. A igreja em si é bonita mas não excepcional (quem conhece as igrejas de Minas vai entender o que estou falando).
Os claustros ficaram fechados por quase 300 anos e estima-se que tinham várias finalidades: passagens "secretas" para o púlpito, depósito de materiais e ferramentas, e até celas para os padres. Ficamos imaginando o frio que os coitados não passavam ali, pois a temperatura dentro estava congelante, mesmo com aquecedores ligados aqui e ali...
O acervo é bem eclético e mistura obras sacras antigas com móveis e objetos utilizados nas cerimônias, todos datados entre os séculos XIV e XIX. Algumas obras tinham uma pequena explicação de sua origem e/ou importância.
Na mesma praça, ao lado do cemitério, fica o Centro Cultural Recoleta, no prédio que originalmente era o mosteiro dos padres recoletos - fundadores da igreja, que dão nome ao bairro. Na praça em frente, muito arborizada e florida, há feira de artesanato nos finais de semana e feriados.
Do outro lado da praça encontramos uma árvore histórica, que certamente viu o bairro nascer e crescer: a Seringueira da Recoleta, que estima-se tenha sido plantada entre o final dos anos 1700 e início de 1800. Seus galhos são tão gigantes que há até uma escultura de homem carregando um deles!
Não muito longe do local onde fica a seringueira, na Avenida Santa Fé, fica a livraria El Ateneo, considerada a segunda livraria mais bonita do mundo. E garanto que é linda mesmo! O prédio, de 1919, era uma sala de espetáculos onde se apresentaram grandes nomes do tango. Hoje é uma livraria enorme, com uma ótima variedade de livros, cds, dvds, mapas, espaço para leitura e um café, cujas mesas ficam no palco. Sem dúvida vale a visita! Fomos na manhã da nossa partida para o Brasil, e foi um jeito ótimo de se despedir de Buenos Aires.
Para quem estiver disposto a andar bastante - como nós - pode-se tomar a Avenida del Libertador desde o cemitério, sentido Jardim Japonês, e ir apreciando os prédios e as áreas verdes até lá. Os prédios da Biblioteca Nacional e do Museu de Belas Artes são muito lindos e imponentes, assim como todos que abrigam consulados. As praças são muito agradáveis e há várias no caminho, muita gente caminhando, pedalando e, principalmente à noite, se exercitando. Numa delas, na Plaza Republica Oriental del Uruguay, há uma estátua enorme de José Artigas, o libertador do Uruguai, e esse banco de praça gigante em que tiramos a foto abaixo.
Atrás dessa praça fica a famosa escultura Floralis Generica, que simula uma flor, abrindo e fechando as pétalas dependendo da hora do dia.
Além do Museu de Belas Artes, há vários outros ao longo da avenida del Libertador: o Nacional de Arte Decorativa (que tem um café e restaurante no jardim, uma pena que não conseguimos conhecer!), o do Automóvel Club, o de Arte Popular... Há também muitas opções de restaurantes e cafés. Como já era quase um final de tarde, fomos direto até o Jardim Japonês, cuja entrada custa 120 pesos (cerca de 18 reais). Aqui já é considerado Palermo, o bairro vizinho à Recoleta.
Esse parque existe desde 1967, foi criado pela comunidade japonesa da Argentina e já foi visitado por vários imperadores, príncipes e princesas japoneses desde a sua inauguração. 
Não é muito grande e pode ser visitado em poucas horas, mas dá vontade de ficar mais... o lago com carpas, as pontes, as esculturas, tudo bem típico da cultura japonesa, que passam aquela tranquilidade oriental.
Um ponto do jardim que nos impressionou bastante foi a área onde estão plantadas 3 árvores descendentes de árvores que sobreviveram ao bombardeio atômico de Hiroshima, um símbolo de reconstrução e renascimento.



Onde comer
Tem três lugares que fomos na Recoleta e que merecem o destaque: o Dandy, o Los Piños e o Almacén de Pizzas. Já adianto que não são lugares badalados nem com chefs super famosos, porque esse não é nosso estilo (nem nosso bolso 😄), mas têm comida deliciosa a preço justo.
O Dandy (somosdandy.com.ar) que conhecemos fica na Avenida del Libertador mas descobrimos que há outros três em Buenos Aires, não sei se iguaizinhos. Esse que fomos é uma mistura de bar, café, padaria e restaurante, todo decorado com peças antigas. No balcão, muitos pães diferentes e várias torneiras de chope. Estávamos morrendo de fome e frio quando chegamos lá e experimentamos primeiro o café, que estava delicioso. Depois pedimos sanduíches de lomo - que é um filé no corte argentino, de carne macia e praticamente sem tempero - que também estavam uma delícia. No cardápio há também massas e pizzas, e por pouco não voltamos lá para experimentar. Como chegamos num final de tarde de dia de semana, havia muita gente tomando café ou fazendo um happy hour depois do trabalho. Recomendadíssimo!
O Los Piños fica perto do Cemitério da Recoleta, na Calle Azcuenaga, mesma rua onde estávamos hospedados. Super aconchegante, até pequenininho mesmo, atendimento nota 10 e comida deliciosa. Vi que está nos Top 10 em termos de parrilla no Trip Advisor, com certeza merece.
O Almacén de Pizzas, na esquina oposta ao Los Piños, foi uma grata surpresa, pois marido nem queria ir pois não via sentido em comer pizza em Buenos Aires. Descobri depois que se trata de uma franquia, há vários espalhados pela cidade. Mas o ambiente desse em especial é bem descoladinho, garçons super gentis (embora estivesse bem cheio) e para não pedir a mesma pizza de sempre pedimos a que era diferente: uma combinação de 4 quadrados grandes de pizza, cada um com um sabor (muçarela, 4 queijos, calabresa e napolitana), e 10 cumbuquinhas de ingredientes - queijo brie, rúcula, tomate seco, etc - para serem adicionados aos pedaços de pizza. Uma delícia!


Alguns links úteis:
Um compilado dos principais pontos turísticos de Buenos Aires - www.buenosairesturismo.com.br
Site do Jardim Japonês - www.jardinjapones.org.ar
Mais sobre a Livraria El Ateneo - viagemeturismo.abril.com.br/atracao/el-ateneo-grand-splendid
Sobre os claustros históricos del Pilar - www.basilicadelpilar.org.ar/index.php/la-parroquia/la-basilica/claustros

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Essa viagem a Buenos Aires fez parte de um roteiro que incluiu também Colônia del Sacramento, no Uruguai. Os outros posts relacionados estão aqui:
Colônia del Sacramento e Buenos Aires - sem malinhas! - post geral
Visitas guiadas a Casa Rosada e Teatro Colón - por que valem a pena
Show de tango bonito e barato em Buenos Aires - achamos!
Roteiro em La Boca: Camiñito e visita guiada ao La Bombonera
Conhecendo o Navio-Museu Presidente Sarmiento em Puerto Madero - Buenos Aires
História da Argentina em 3 museus de Buenos Aires - post especial
Colônia del Sacramento a 2

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