Roteiro em La Boca: Camiñito e visita guiada ao La Bombonera

Durante nosso planejamento de viagem a Buenos Aires já tinha sido avisada pelo marido que teríamos que incluir a visita guiada ao emblemático estádio do Boca Juniors - La Bombonera -, pois ele TINHA que conhecer o gramado e o interior, não tinha como deixar de ir 😃 Como já estava previsto passar pelo famoso Camiñito, e o estádio fica no mesmo bairro, fizemos os dois na mesma manhã.
Ouvimos muita gente nos alertando sobre os perigos do bairro, que era melhor se locomover de táxi e só descer na porta do estádio, que nem os táxis se aventuram fora das ruas principais, etc. Realmente não parece uma região muito amigável, embora seja um dos bairros mais antigos de Buenos Aires e tenha muitas histórias - inclusive a da fundação do time tão querido dos argentinos. Fica bem afastado do centro, próximo ao porto, e por isso foi habitado originalmente por estrangeiros, especialmente italianos. Mas a distância entre o estádio e o Camiñito é de dois ou três quarteirões, cheios de gente, a maioria turistas. Adianto que a aparência é uma mistura de simpático com decadente: uma sucessão de sobradinhos bem antigos, pintados em cores alegres (não todos), muitos convertidos em restaurantes e lojinhas, sob um emaranhado caótico de fios elétricos.
Começamos a manhã pelo estádio, pegando um uber do hotel, na Recoleta, até lá, sem sustos. Foi a viagem mais cara que fizemos por causa da distância (cerca de 9 km). Há só uma entrada para visitantes, onde fica a lojinha e o Museo de la Pasión Boquense, onde se vendem os ingressos para os diferentes tipos de visitas: 1) somente entrada para o museu; 2) o tour vip, que inclui museu + a visita ao estádio com um guia, que conta todos os detalhes da história do time e do estádio; e 3) o tour vip + vestiários, o mais caro e mais completo, que permite entrar e tirar fotos no vestiário, e ainda se ganha uma foto impressa. Como marido é louco por futebol, adivinhem só qual o tipo de visita que fizemos? 😉 (custo desse ingresso: 380 pesos, ou cerca de 55 reais no câmbio de julho/18)
A lojinha tem aqueles souvenirs caríssimos de sempre: uniformes oficiais, bottoms, bonés, agasalhos, canecas, chaveiros... até mamadeira e chupetas, tamanho o fanatismo dos nossos amigos argentinos por seu time do coração. Ao lado dos caixas fica a entrada para o museu - as visitas guiadas têm horário e número certo de pessoas, mas o museu é livre.
O acervo do museu é bem completo e didático. Tem um histórico dos principais títulos, peças e objetos de jogos históricos, homenagens de outros times. A parede com a evolução das camisetas ao longo do tempo é muito interessante, assim como a maquete que representa o bairro na época da fundação do time.
Nessa mesma parede da maquete fica um mural com a história da criação do time, que é bem pitoresca: em 1905, 5 moleques descendentes de italianos e moradores do bairro, empolgados com a aula de educação física na escola, se juntaram na casa de dois deles (que eram irmãos) e fundaram o clube. Mais histórias engraçadas: a primeira camiseta do time era rosa. Depois de passar por outras cores, o presidente do clube decidiu que iria até o porto e as cores definitivas seriam as da bandeira do primeiro navio que aparecesse - como o primeiro navio foi sueco, foram adotadas as cores da Suécia: azul claro e amarelo.
Também tem a história do estádio no museu, que também é controversa. Como o local destinado ao estádio era muito pequeno (inclusive o campo atende na casca ao tamanho mínimo estabelecido pela FIFA), a solução adotada pelo arquiteto foi criar 3 anéis de arquibancada e adotar o formato parecido com o de uma caixa de bombons - daí o apelido famoso, pois o nome verdadeiro dele é Estádio Alberto José Armando desde 2001. O estádio passou por várias crises financeiras, chegou até a ser penhorado, mas segue firme e forte como local sagrado dos torcedores boquenses. Há planos remotos de se erguer um novo estádio, bem maior, para o Boca Juniors, mas que ainda não saíram do papel.
Na parte de cima, fica um restaurante-café bem simpático, com várias televisões - como era época de Copa do Mundo havia várias pessoas por lá acompanhando o jogo. Paramos ali para tomar uma Quilmes e comer umas empanadas. E subindo mais um lance de escada chega-se à sala dos troféus.
A visita guiada sai de um ponto de encontro dentro do museu e dali se entra de fato no estádio. Nosso grupo era bem eclético, havia argentinos de outras cidades, nós e alguns colombianos. Logo de início nossa guia nos contou a história sobre a fundação do clube e como foi a escolha das cores, sempre fazendo graça com o arqui-rival River Plate, e seguiu contando outras histórias de jogos e campeonatos históricos (marido entendeu todas, eu boiei 😄). Paramos em vários pontos diferentes do estádio e ela nos mostrou o camarote permanente do ídolo maior Maradona (fica em cima do placar).
A impressão que dá é que é mesmo apertado, não tem aquela grandiosidade de outros estádios maiores, como o Morumbi (que é antigo mas enorme) ou a Arena Corinthians (novinha e super moderna). Os entendidos e amantes do futebol que me perdoem, esses comentários são totalmente desligados de qualquer preferência, são puramente a minha impressão 😉
Entramos então nos corredores internos sentido vestiários. Quem não pagou pela entrada nos vestiários aguarda do lado de fora, enquanto os super vips - como nós - entram e escolhem seus locais para as fotos. Depois ficamos zanzando pelos corredores, repletos de pinturas alusivas a momentos históricos do clube e de seus jogadores mais famosos.

Saímos então do estádio e andamos os poucos quarteirões até o Camiñito - que nada mais é que uma rua, cerca de 150 m, onde as antigas casas de chapa dos imigrantes viraram lojas, restaurantes e ateliês. Essas casas eram semelhantes a cortiços, bem precárias, e desde a década de 60 foram revitalizadas e transformaram a rua numa espécie de museu a céu aberto: as fachadas foram pintadas de cores bem fortes e várias obras artísticas podem ser vistas ao longo da rua. A super fotografada esquina onde se vê escrito Camiñito é atualmente uma loja da Havanna.
Há sempre dançarinos de tango por ali, tentando ganhar uns trocados, e centenas de turistas - tantos que a maioria das lojinhas é mesmo bem pega-turista. Mas ouso afirmar que é programa obrigatório em Buenos Aires zanzar pelas galerias e lojinhas de La Boca, pois entre as lojas de quinquilharias há também muitas coisas legais - foi ali que compramos os presentinhos dos nossos malinhas, por exemplo. O assédio aos turistas é grande também, principalmente dos restaurantes e bares, mas nada que assuste a nós, brasileiros.

Para retornar do bairro, resolvemos não arriscar pegar táxi por ali (havia vários circulando próximos ao Camiñito) - preferimos voltar andando até o La Bombonera e pedir um uber, nosso meio de transporte preferido na cidade conforme contei aqui no primeiro post dessa viagem.


Links úteis:
Post ótimo do blog Fui Ser Viajante sobre a visita ao La Bombonera: Visita guiada ao Estádio do Boca Juniors – La Bombonera | Buenos Aires
Site do museu: www.museoboquense.com
Mais informações sobre o Camiñito: www.buenosairesturismo.com.br/passeios/rua-caminito-la-boca.php

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Essa viagem a Buenos Aires fez parte de um roteiro que incluiu também Colonia del Sacramento, no Uruguai. Os outros posts relacionados estão aqui:
Colônia del Sacramento e Buenos Aires - sem malinhas! - post geral
Visitas guiadas a Casa Rosada e Teatro Colón - por que valem a pena
Show de tango bonito e barato em Buenos Aires - achamos!
Roteiro na Recoleta: o que fazer e onde comer
Conhecendo o Navio-Museu Presidente Sarmiento em Puerto Madero - Buenos Aires
História da Argentina em 3 museus de Buenos Aires - post especial
Colônia del Sacramento a 2

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