Visitas guiadas a Casa Rosada e Teatro Colón - por que valem a pena

Somos doidos por um museu, e se tiver visita guiada, melhor ainda! E quando o edifício não é museu, mas sim a sede do governo do país ou um teatro lindo de morrer, também vale! Assim são a Casa Rosada e o Teatro Colón, em Buenos Aires - edifícios que são muito mais que museus, cheios de história, e que contam com visitas guiadas ao público. Não tinha como estar em Buenos Aires e não conhecer esses dois ícones argentinos...


Casa Rosada
É a sede do governo argentino, ou seja, onde o presidente trabalha, e permite visitações gratuitas ao público em geral nos fins de semana e feriados. Mas atenção, não dá pra chegar na porta e tentar entrar - as visitas devem ser agendadas com antecedência pelo site visitas.casarosada.gob.ar. A maioria das visitas é em espanhol, mas também são disponibilizadas visitas em inglês e português, sendo possível escolher no momento do agendamento.
Claro que nós dois chegamos na porta e tentamos entrar 😃, o que obviamente não funcionou, e acabamos agendando para o dia seguinte.
O prédio data de 1898 e foi construído sobre os restos de uma antiga fortaleza que havia naquele local, e o arquiteto que o projetou foi o mesmo que projetou o Teatro Colón (não é à toa que são ambos edifícios lindos). No século XX passou por várias modificações, chegando no formato atual. Quanto à escolha da cor rosa, há várias explicações, nenhuma definitiva - a mais provável é que fosse a cor "da moda" na época do presidente Sarmiento, que foi quem iniciou as obras.
A visita leva cerca de uma hora e passa pelos principais pontos, que inclui o escritório da presidência (onde não é permitido tirar fotos; em todos os outros locais, pode-se tirar fotos sem flash).
Um dos pontos mais bonitos e impressionantes é o Salão Branco, onde são realizadas as cerimônias de posse dos novos presidentes. A sala em si não é muito grande, mas algumas paredes são espelhadas, dando a impressão de ser muito maior do que realmente é. Os detalhes por todo o lado são lindos.
O Pátio das Palmeiras, uma espécie de jardim no meio do prédio, é rodeado por balcões de cima a baixo e, embora seja um espaço aberto, há uma rede de cobertura que impede a entrada de pássaros (principalmente pombos), que poderiam danificar as esculturas que ficam ali.
O Salão dos Cientistas também nos impressionou bastante, onde ficam os retratos dos vários argentinos de renome (inclusive ganhadores de prêmios Nobel). Pudemos também ir até o famoso balcão que dá para a Plaza de Mayo, onde foram feitos discursos históricos.
O ponto final da visita é na Galeria dos Presidentes, uma sala onde ficam os bustos em mármore de ex-presidentes - segundo a guia, os bustos podem ser solicitados 8 anos após o término do último mandato (ou seja, o cara não precisa estar morto pra ter o busto ali), e não são obrigatórios (há vários ex-presidentes mais recentes que não têm busto). Um deles foi retratado com o torso nu, como as antigas esculturas gregas, que foi um pedido bem particular - o restante está vestido. Um detalhe meio bizarro ao final de um passeio super interessante.
Dicas: 1) agende com antecedência, as visitas são agendadas de meia em meia hora; 2) se tiver dificuldades com o espanhol e quiser entender tudinho, melhor agendar a visita em português - apesar de não termos dificuldade para entender, pegamos uma guia que falava muito rápido e com sotaque portenho bem carregado, e por mais que eu prestasse atenção tenho certeza que perdi muitos detalhes; 3) dê um pulo no Museo do Bicentenario, ao lado da Casa Rosada e também com entrada gratuita, onde ficam detalhes preciosos do prédio da antiga fortaleza e das diferentes fases da presidência argentina, desde a independência.

Teatro Colón
Pertinho do Obelisco, ali no coração de Buenos Aires, fica o Teatro Colón, um dos lugares mais bonitos que já conheci, desde 1989 tombado como Patrimônio Histórico Nacional. As visitas guiadas devem ser agendadas pelo site www.teatrocolon.org.ar/es/visitas-guiadas, e acontecem todos os dias, de 15 em 15 minutos. Os ingressos podem ser comprados pessoalmente na bilheteria do teatro ou pelo site, e custam 300 pesos/pessoa (cerca de R$40 - pelo site é cobrada uma taxa de conveniência de 100 pesos). Asseguro que vale cada centavo!
A entrada é feita pela lateral, onde ficam as bilheterias e um café, e os horários são obedecidos pontualmente. Assim que entramos nos deparamos com essa maquete da foto (não conseguimos tirar foto na frente do prédio pois nesse dia chovia muito) e com alguns dos figurinos usados em peças famosas. Ali mesmo ficamos sabendo que todos os figurinos das peças são confeccionados no próprio teatro.
Nosso super didático guia nos explicou, já de início, que o teatro na verdade não foi concebido para ser teatro e sim uma sala de ópera, com acústica impecável (segundo ele, é a melhor do mundo). A história do prédio é conturbada: o arquiteto (o mesmo da Casa Rosada, o italiano Francesco Tamburini) morreu no início do projeto, um segundo arquiteto também italiano continuou, um terceiro italiano assumiu e morreu assassinado no meio das obras, e finalmente um belga o finalizou - tudo isso para explicar a demora da inauguração (cerca de 20 anos) e a presença de fortes influências italiana e francesa. Foi finalmente inaugurado em 1908, com a ópera Aída.
Há muitas histórias pitorescas por ali, fortalecendo a lenda que Buenos Aires sempre aspirou ser a Paris das Américas. Frequentado somente pela elite da elite, por muito tempo a língua oficial por ali foi o francês, e muitos encontros políticos e decisões importantes ocorreram durante os intervalos das peças. Em uma das salas, inspirada na Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes, hoje ocorrem concertos gratuitos. A grandiosidade na arquitetura é tanta que muitos detalhes dourados são realmente folhados a ouro.
No momento da nossa visita estava havendo um ensaio para o próximo espetáculo, que estrearia em alguns dias: a ópera Tristão e Isolda. Mesmo não entendendo patavina de ópera e nem conhecendo direito a história, ficamos impressionados com a potência das vozes, a acústica (os atores não usam microfone), a emoção que transmite... realmente de tirar o fôlego. Embora eu ache que não conseguiria assistir a peça toda, que tem mais de 4 horas de duração (!). Por causa do ensaio não pudemos tirar fotos da sala de espetáculos, a lembrança vai ficar só na cabeça mesmo...
Lugar lindo e imperdível para quem vai a Buenos Aires, mesmo quem não se interessa especialmente por teatros e/ou ópera. Se tiver a sorte de contar com um guia claro e apaixonado pelo local, como o nosso, ainda melhor!

Alguns sites úteis:

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Essa viagem a Buenos Aires fez parte de um roteiro que incluiu também Colonia del Sacramento, no Uruguai. O planejamento de viagem, hospedagens e roteiro completo estão aqui nestes posts:

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