Itatiaia e Penedo em um fim de semana com 2 malinhas

Itatiaia é uma cidadezinha que fica praticamente na fronteira entre os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, famosa pelo pico das Agulhas Negras (5o mais alto do Brasil, com quase 3 mil metros de altura) e pelo seu bairro próximo - Penedo - colonizado por finlandeses e conhecido como "Pequena Finlândia". Mas a graça em contar tudo isso é que são dois lugarzinhos ótimos para passeios em família e que podem ser "desbravados" em um único fim de semana!
Nós já tínhamos feito bate-volta em Penedo há vários anos, e também havíamos parado ali ao voltar de um feriado em que ficamos em Visconde de Mauá, mas ainda não conhecíamos o Parque Nacional de Itatiaia, onde fica localizado o pico das Agulhas Negras. Nessa região - entre Penedo, Visconde de Mauá e Itatiaia - tem muita coisa pra fazer, a maioria trilhas que levam a picos ou cachoeiras, de graus variados de dificuldade. Nesse post vou descrever um roteiro curtinho para conhecer a vilinha de Penedo e o Parque Nacional, que fizemos numa dobradinha sábado e domingo. Chegamos em Penedo no sábado próximo à hora do almoço, passamos a tarde e a noite ali, e no dia seguinte fomos para Itatiaia (que já fica no sentido SP, portanto, nosso caminho para casa).

Penedo
Seguindo a linha de outros destinos "de inverno", como Campos do Jordão (SP) e Monte Verde (MG), Penedo também dispõe de muitas opções de hospedagem (muitas com lareira), uma rua onde fica concentrada a maioria do comércio e dos restaurantes e várias lojinhas de chocolate e lembrancinhas de todos os tipos. Mas pelo fato de ter sido colonizada por finlandeses, há menção do Papai Noel e da Lapônia em muitos lugares, inclusive no centrinho comercial mais famoso por ali - que não por acaso se chama Pequena Finlândia e abriga a Casa do Papai Noel.
Nesse centrinho, onde cada loja é uma casinha colorida formando um conjunto bem simpático, se encontra de tudo: casacos, brinquedos, queijos, quinquilharias de toda sorte, sorveteria que se diz finlandesa (mas o chocolate é belga 😄)... tem também um laguinho com carpas e a tal Casa do Papai Noel, que fora da época natalina fica aberta em poucos horários. Por aqui até evitamos a visita, porque a mais velha (que já tem 8 anos e se acha muito sabida) queria desmascarar o bom velhinho para o mais novo, que só tem 5 anos, ama o Natal e ainda acredita nele. Sendo assim, achamos bom que a casa estava fechada e evitamos o confronto 😄 
Por toda a volta ali há restaurantes bacanas. Nós almoçamos na Casa do Fritz, que também é cervejaria (por sinal, chope delicioso e cervejas ótimas), mas há várias outras opções, para todos os gostos e bolsos. Tomamos um sorvete maravilhoso na sorveteria que fica na esquina oposta à entrada do centro Pequena Finlândia - o de chocolate finlandês (chocolate com passas ao rum e nozes) é divino!
Um pouco mais adiante, fomos conhecer o Museu Finlandês, que fica no mesmo prédio do Clube Finlândia, ambos criados para manter e mostrar as tradições desse país tão longe do Brasil. No clube até hoje há bailes com danças típicas (eu fui em um show lá há muitos anos, e me lembro de ter sido bem divertido). Já o museu era uma coleção particular até meados de 1990, quando todo o acervo foi doado para o clube pela sra. Eva Hilden, que dá nome ao atual museu.
Espalhados em duas salas grandes ficam muitos objetos de origem finlandesa, desde roupas típicas e mapas antigos até livros e resumos de plantas nativas, muito sobre a história dos imigrantes, explicações detalhadas de porque a sauna que conhecemos é diferente da sauna finlandesa (inclusive a primeira sauna do Brasil foi construída ali em Penedo) e que sauna é uma palavra finlandesa (acho que uma das únicas pronunciáveis!). Tudo muito interessante, pois normalmente sabemos pouquíssimo sobre a Finlândia.
No piso superior ficam alguns painéis contando um pouco sobre a Finlândia atual: riquezas naturais, distribuição de população e renda e outros dados geográficos. Nas escadas, algumas fotos antigas das primeiras famílias que chegaram por ali. Uma curiosidade: a intenção dessas famílias era criar uma comunidade vegetariana, naturista e ecológica que preservasse a natureza, sem nenhum apelo militar ou consumista, uma coisa bem hippie mesmo. Mas esses mesmos imigrantes não tinham experiência em agricultura e acabaram se decepcionando e voltando à sua terra natal. Hoje sobraram poucos descendentes na região, em torno de 200 (detalhes dessa história aqui nesse link).
Ficamos hospedados em Penedo, na Pousada Arboretum. Composta de chalés com cara de casa de avó, rodeada de plantas, fomos super bem atendidos pela proprietária simpaticíssima. Os chalés são bem confortáveis e acomodam bem uma família - os malinhas adoraram o jeito de casinha de boneca do nosso chalé!


Parque Nacional de Itatiaia
A cerca de 20 km de Penedo chega-se em Itatiaia (voltando à Rod. Pres. Dutra, sentido SP, basta seguir as placas indicativas para o parque). Eu havido estado lá há uns 15 anos e me lembrava pouco (somente das trilhas enlameadas que fiz).
Esse parque foi o primeiro do Brasil, criado em 1937 por um decreto do então presidente Getúlio Vargas. Na década de 80 o parque foi ampliado e mais que dobrou de tamanho, mas uma curiosidade interessante é que as novas terras anexadas não foram desapropriadas, e por isso dentro dele há muitas propriedades privadas - hotéis, restaurantes, ateliês de arte. A intenção é que, conforme (ou se) os proprietários forem se desfazendo dessas áreas, que elas sejam incorporadas ao parque definitivamente.
O parque é dividido em duas grandes áreas: Parte Baixa e Parte Alta. O valor da entrada é R$17 por pessoa (as crianças não pagam), e entra-se com o carro. A moça da portaria foi muito gentil e nos explicou que dali acessaríamos toda a Parte Baixa e que a melhor opção seria seguir diretamente até o complexo da piscina do Maromba (cerca de 9 km da portaria), onde pode-se estacionar o carro e conhecer a piscina e acessar a trilha da Cachoeira Véu de Noiva, e seguir voltando, parando no Centro de Visitantes (cerca de 4,5 km) e no Mirante do Último Adeus (cerca de 2 km). Foi exatamente o que fizemos e funcionou bem para conhecermos o parque. (Para acessar a Parte Alta e fazer as trilhas mais difíceis é preciso entrar pelas outras portarias - as informações completas estão no Guia do Visitante do parque, link aqui).
Abaixo a lista completa das trilhas da Parte Baixa. Eu sempre me incomodo com a classificação do nível de dificuldade das trilhas... pra mim, fácil é aquela meio pavimentada, sem grandes subidas ou descidas - qualquer coisa além disso é nível médio. Classificar como fácil faz as pessoas subestimarem a dificuldade e vimos muita gente com sapatos inadequados (tipo sandália e chinelo), o que torna tudo mais perigoso. A trilha para a Véu de Noiva, por exemplo, tinha trechos bem escorregadios e muitas pedras.
Enfim, seguimos as instruções da moça e fomos direto ao Complexo da Maromba - até o Centro de Visitantes a estrada é asfaltada, após é uma estrada de cascalho, sempre serpenteando as montanhas. Nesse ponto há uma certa estrutura, com banheiros e um centrinho de informações.
Dali fomos direto conhecer a piscina do Maromba, numa trilhinha em sua maior parte de escadas. Fácil de chegar e muita gente se banhando ali. Uma cachoeira pequena desemboca num vão grande entre as pedras, formando realmente uma piscina.
Voltamos e seguimos para a trilha para a cachoeira Véu de Noiva (todo lugar tem uma cachoeira com esse nome 😄), aquele caso de trilha fácil não tão fácil assim, pois além de alguns trechos meio íngremes e escorregadios, havia muitas pedras no trecho final. Teve um tombo (da malinha) e umas carinhas cansadas no final, mas valeu a pena!
A trilha para a outra cachoeira, a Itaporani, estava fechada por risco de tromba d´água - aliás, há muitas placas explicando dos riscos existentes nas trilhas, assim como responsáveis do parque nos principais pontos de parada.
Pegamos o carro e seguimos então para o Centro de Visitantes, que possui várias salas e um acervo interessantíssimo. Numa delas, toda a história do parque, detalhes do relevo e os principais pontos das Partes Baixa e Alta.
Ao lado, uma amostra da fauna da região: vários animais empalhados e identificados. E em seguida, uma seção entomológica, com muitos insetos expostos.
Na parte de fora, os malinhas amaram a Calçada da Fauna - uma calçada da fama só que de pezinhos de animais. E em outras salas, uma exposição de fotos, uma específica de pássaros, e outra dos animais da região, todas muito impressionantes.
Novamente pegamos o carro e fomos no sentido da portaria, e no caminho paramos para almoçar em um restaurante bem simplesinho mas gostoso, onde os macacos pregos estavam muito ocupados em "assaltar" a lojinha ao lado! Parece engraçado mas, assim como ocorre no Parque das Cataratas, em Foz do Iguaçu, há muitos avisos para não alimentar os animais - pelo risco de levar mordidas e arranhões e o risco aos próprios animaizinhos, que não deveriam ingerir comida processada.
Finalmente fizemos a última parada: o Mirante do Último Adeus, de onde se tem uma vista privilegiada da represa da Usina de Furnas, que parece uma pintura em meio às montanhas. Foi uma ótima despedida desse lugar lindo!


Alguns links úteis:
- informações sobre Penedo: penedo.com e www.visitepenedo.com
- pousada onde nos hospedamos: www.arboretum.com.br
- site do Parque Nacional de Itatiaia: www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia

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Monte Verde com 2 malinhas
Malinhas na trilha: Bauzinho em São Bento do Sapucaí
Serra Catarinense a 4
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