Colonia del Sacramento a 2

Começo esse post já adiantando que Colonia del Sacramento é um encanto! Aliás, o Uruguai já tinha me encantado quando fomos pra Punta del Este e arredores, e Colonia não decepcionou. A cidade me lembrou um pouco Parati, no Rio, por também ser uma cidadezinha pequena com uma parte histórica preservada, e ser à beira-mar - ou beira-rio, no caso de Colonia. É meio unanimidade que um dia é suficiente para conhecer bem a cidade, e por isso muita gente faz bate-volta de Buenos Aires, de barco. Também dá pra chegar por Montevidéu, distante apenas 180 km de carro.
Como nosso roteiro era Buenos Aires e Colonia e queríamos passar pelo menos uma noite em Colonia, voamos até Buenos Aires, pegamos o barco à noite, passamos um dia todo em Colonia e voltamos para a Argentina pela manhã.
---->>> nosso planejamento de viagem, hospedagem e roteiro estão aqui nesse post: Colônia del Sacramento e Buenos Aires - sem malinhas! - post geral <<<----


Antes de começar com os passeios em si, vale contextualizar um pouco a importância histórica da cidade, que foi fundada em 1680 pelos portugueses e disputada inúmeras vezes pelos espanhóis e pelos ingleses, até a declaração de independência do Uruguai, em 1825. O principal motivo de tanta gente querer tomar posse da cidade é a localização estratégica de Colonia, à margem direita do Rio da Prata, um porto importante para escoamento de tudo que era extraído e produzido nas colônias. As brigas foram tantas que a cidade era cercada por uma muralha - da qual hoje só resta o portão principal (o Portón de Campo). Todo o bairro histórico é tombado como Patrimônio da Humanidade.
A principal atração de Colonia é seu bairro histórico e nós começamos o passeio pelo porto, que tem dois cais: um de madeira, mais antigo, e outro mais novo, de concreto. A largura do rio da Prata é sempre impressionante, parece um mar, pois não se vê Buenos Aires na outra margem.
O cais de madeira é um charme, com suas luminárias antigas. Mas o outro também tem seu encanto, e uma vista incrível da cidade.
Dali seguimos para a Rambla, uma rua que segue a margem do rio e um ponto para ver o famoso pôr-do-sol da cidade. Fazia muito frio e o vento estava geladíssimo, mas no verão imaginamos que deve ser delicioso ficar em um dos vários barzinhos por ali. Para fugir do vento, fomos em direção ao Farol, que data de 1857 e permite uma visão 360o da cidade. Paga-se uma pequena taxa para entrar (25 pesos, aproximadamente 3 reais) e subir a escadaria estreita em caracol que leva até o topo. A vista é realmente maravilhosa e vale cada degrau!
Na porta fica um mapinha em azulejo, bem didático, explicando os limites territoriais das cidades que ficam à beira do rio e também a divisão do rio da Prata entre Argentina e Uruguai.
O farol foi construído sobre as ruínas do Convento de São Francisco, destruído por um incêndio em 1704. As ruínas permanecem lá, ao lado do farol, um resquício da influência portuguesa na cidade.
Aliás, nossa guia enfatizou bastante essa dualidade portuguesa-espanhola na arquitetura, e talvez por isso a cidade nos lembre um pouco as cidades históricas brasileiras. O design mais português de alguns edifícios ao lado de outros, com linhas mais retas e clara influência espanhola.
Ali pertinho também ficam as ruínas da Casa dos Governadores, onde ficaram só as demarcações de pedra no chão, não restando nenhuma parede. Há uma placa explicando que a arquitetura da casa era típica portuguesa.
Na Plaza Mayor há muitas espécies de árvores frutíferas não nativas da região, trazidas pelos colonizadores portugueses e espanhóis, formando um cenário muito bonito.
Ali da Plaza Mayor saem várias ruazinhas que terminam quase à beira do rio, entre elas a famosa Calle de los Suspiros, considerada local super romântico onde os uruguaios costumam fazer pedidos de casamento. Uma pena que nossa guia destruiu essa linda imagem romântica quando nos contou que naquela rua ficavam as casas de prostituição da cidade no período pré-independência 😞
Ao final da Plaza Mayor chega-se ao Portón de Campo, o portão da muralha que protegia a cidade. Por todo lado há bancos para se sentar e apreciar a vista do rio, e uma das atrações é subir ao lado da muralha e descer na prainha lá embaixo. Nessa hora ficamos com muita saudades dos malinhas, pois o local estava cheio de crianças!
Ficamos também muito impressionados com a Basílica de Santísimo Sacramento, uma igreja originalmente levantada pelos portugueses e modificada pelos espanhóis. Ela passou por uma restauração impressionante, que procurou revitalizá-la mas mantendo aspectos de ambas influências. Em vários pontos vê-se um pedacinho do piso original, da pintura de uma das paredes, imagens da época espanhola... tudo isso num ambiente que parece novo. Muito interessante, pois normalmente as restaurações procuram manter tudo o mais próximo possível do original, mas nessa igreja o moderno e o antigo foram combinados de forma harmoniosa.
Depois dessa exploração por ali, seguimos em busca do Bastión del Carmen, que seriam as ruínas da outra ponta da muralha que protegia a cidade. As ruínas ficam dentro da área aberta do Centro Cultural Bastión del Carmen, próximo ao porto, à beira do rio. O Centro Cultural ocupa um prédio construído em 1880, que funcionava mais ou menos como um forte, para defesa daquele ponto da cidade. Mais parte o prédio virou uma fábrica de várias coisas - sabão, couro - e armazém, e anos depois foi adquirido pelo governo e se tornou um centro cultural (o único da cidade, aliás).
A entrada é gratuita e o centro abriga muitas exposições de artistas locais e de fora, além de um teatro. Na área livre ficam a famosa chaminé - que pode ser vista de longe -, as ruínas das antigas muralhas, esculturas e uma vista linda do porto. Vimos o pôr-do-sol ali, mesmo com algumas nuvens foi lindo!

Na cidade também há também cinco pequenos museus: Municipal, Português, Espanhol, do Azulejo e Indígena, todos eles em antigas casas. O maior de todos, o Museo Municipal, ao lado da Plaza Mayor, vende ingressos para todos eles (tipo um combo 5 em 1), e abriga uma exposição muito interessante que mistura história da cidade com paleontologia (na parte externa há até um esqueleto de baleia). Infelizmente não conhecemos nenhum - no dia da nossa viagem o Museo Municipal não estava aberto a visitantes, e no Português chegamos quase na hora de fechar. Aliás, esse é uma informação importante: eles não abrem todos no mesmo dia, é preciso se informar antes de comprar os ingressos.
Um charme da cidade são as lojinhas, que vendem desde as quinquilharias básicas de sempre - chaveiros e ímãs de geladeira -, até produtos de pele de carneiro e artesanato em barro e madeira. Nós, que somos doidos por lembrancinhas inusitadas de viagem, ficamos até na dúvida sobre o que levar!
Ficamos com muita vontade de voltar lá com os malinhas, no verão, para aproveitar mais os cafés e restaurantes. Com frio a cidade é linda, no calor deve ser ainda melhor!

DICAS:
- Aconselho levar um bom tanto de dinheiro vivo, pois para algumas coisas - visita guiada, compras pequenas nas lojinhas, sorveterias - não se aceita cartão de crédito, ou se cobra uma porcentagem em cima do valor total. Seja mais esperto que a gente e já chegue preparado!
- Vários lugares não aceitam Mastercard 😢 o que foi um problema para nós, que só temos cartão dessa bandeira. Tínhamos que perguntar em todos os estabelecimentos antes de entrar.
- Talvez por ser inverno e dia de semana, tivemos alguma dificuldade de encontrar um bom restaurante para jantar à noite na parte histórica. Durante o dia havia muitas opções, mas à noite poucos estavam abertos (e desses poucos, alguns não aceitavam Mastercard!).
- Na Av. General Flores, uma das principais avenidas da cidade, há várias casas de câmbio que trocam dólares, reais e pesos argentinos.
- Super recomendo fazer a visita guiada, que se inicia no Centro de Informação ao Turista, ao lado do Portão. Paga-se diretamente ao guia (130 pesos uruguaios/pessoa - mais ou menos 16 reais). Nossa guia era uma senhora fofa, e a visita toda fez muito mais sentido depois das explicações dela!

LINKS ÚTEIS:

Guia turístico de Colonia do Sacramento - www.coloniadosacramento.com
Blog Café Viagem - Colonia del Sacramento: Um roteiro para namorar

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