Minas de Wanda e San Ignácio Mini - a Argentina perto de Foz do Iguaçu

Quando começamos a programar essa última viagem para Foz do Iguaçu - seria a segunda vez, depois de 6 anos e com a família bem maior - resolvemos incluir um passeio menos óbvio e um pouco mais adulto: conhecer as Minas de Wanda e as ruínas da Missão de San Ignácio, ambos na província de Misiones, na Argentina. Assim que vi essa opção fiquei doida pra ir, pois amo esses destinos diferentões e seria uma ótima oportunidade de conhecer esses lugares pela pouca distância de Foz.

--->> nosso roteiro completo da viagem a Foz está aqui nesse link <<---

Compramos o passeio da Loumar Turismo, uma das grandes agências de Foz - cotamos com uma outra também (Combo Iguassu), mas essa não fazia o combinado minas + ruínas, somente separados. Foi o passeio mais caro da viagem (R$ 220/pessoa, incluso transporte e ingresso nas minas, sem almoço e sem o ingresso das ruínas) e o mais longo (saímos do hotel às 7 da manhã e voltamos às 7 da noite).
Por que vale a pena fazer o passeio combinado? Ambos ficam na província de Misiones, sendo que as minas ficam a pouco mais de 60 km do centro de Foz, praticamente no caminho para San Ignácio, que ficam 250 km adiante. Na ida a viagem passa bem rápido, faz-se o tour guiado em Wanda, e duas horas depois chega-se em San Ignácio, com rápida parada para almoço e em seguida já começa o tour pelas ruínas. A volta é mais longa, pois de San Ignácio a Foz leva-se mais de 3 horas. É um passeio bem cansativo por conta da distância, mas uma chance imperdível de aprender um pouco de geologia e de História. Para dar uma ajudinha no entendimento do momento histórico, na volta colocaram o filme A Missão no DVD do ônibus - mesmo dublado em espanhol, deu pra entender bem o contexto histórico (no YouTube nesse link aqui, mas está disponível no Netflix também).


Minas de Wanda

Wanda é uma cidadezinha argentina, a pouco mais de 60 km de Foz, uma viagem bem tranquila. A região foi colonizada por poloneses, daí a origem do nome: Wanda era o nome da princesa polaca na época. A estrada é muito boa, mas a paisagem ali é meio desoladora, meio desértica, e o passeio em si é muito organizado. Um guia acompanha toda a visita, explicando a parte histórica e geológica antes de entrarmos nas minas propriamente ditas.
Segundo o guia, o local ali era uma fazenda, como outras na região, até que uma pedra linda foi encontrada e enviada para avaliação, quando descobriram se tratar de uma pedra semipreciosa. Quanto à parte geológica, nos explicaram que o local faz parte de um imenso maciço que começa na região de Brasília, e tem origem vulcânica: a lava em contato com a água formou bolhas de ar, que com calor e pressão deram início ao processo de cristalização, que originaram as pedras preciosas.
Já na entrada ficamos impressionados, os cristais parecem brotar da pedra! A mina ainda é explorada e são extraídas várias pedras semipreciosas - ágatas, ametistas, topázios e tipos variados de quartzo. Pelo que entendemos, nos túneis abertos à visitação não há mais extração, mas os trabalhos continuam em lugares próximos dali, inclusive pudemos ouvir alguns barulhos. Como os túneis são no mesmo nível e relativamente curtos, mesmo alguém claustrofóbico como eu não se sente desconfortável. É um passeio muito impressionante e interessante! Duro mesmo foi tirar a sujeira no final do dia: um pozinho avermelhado, fino e grudento, que só descobrimos na hora de tomar banho.
Ao final da visita, havia uma lojinha (óbvio!), com coisas de todo tipo feitas com as pedras, inclusive esculturas de 2 m de altura. Para os mais abonados, havia até uma parte mais reservada, onde provavelmente ficam as peças mais caras.
Esse passeio pode ser comprado separadamente e considero bem adequado para as crianças - não é longe, a explicação do guia é minuciosa mas não entediante, não há nenhum perigo aparente e conhecer um pouco de geologia é muito legal para todas as idades. Meus malinhas, de 8 e 5 anos, ficaram fascinados e trouxeram uma porção de pedrinhas que encontraram pelo chão! Para quem faz só Wanda, o almoço é no restaurante ali mesmo. No nosso caso, voltamos para o ônibus e seguimos para San Ignácio.


Ruínas de San Ignácio Mini
A 250 km de Wanda fica a cidade de San Ignácio, onde ficam as ruínas da missão jesuítica de San Ignacio Mini. A missão foi construída por volta de 1630, numa região originalmente pertencente à Espanha - assim como várias outras, hoje num raio que compreende Argentina, Paraguai e o sul do Brasil. Os padres jesuítas espanhóis levantaram ali uma comunidade enorme com o intuito de cristianizar os guaranis das diversas tribos da região. Mas infelizmente essa missão teve o mesmo fim das demais: as desavenças entre portugueses e espanhóis pelo domínio dos territórios (portugueses não queriam espanhóis nas terras deles e vice-versa), somada às lutas pela independência dos países originários desses territórios, acabaram com todas as comunidades jesuítas e os padres ou foram expulsos, ou mortos.
No caso de San Ignácio, a missão foi abandonada e permaneceu esquecida até meados da década de 40, quando se iniciou um processo de restauração e manutenção. Em 1984, o complexo foi declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO.
O valor do ingresso para o complexo - que compreende um pequeno museu, uma igreja e todo o terreno onde estão as ruínas - é de 60 pesos e não estava incluído no pacote (assim como o almoço). Enquanto aguardávamos a visita guiada, entramos no museu onde ficam uma maquete da missão original e muitos objetos e explicações históricas. Fiquei meio chateada porque não consegui ver tudo, 5 minutos depois que entrei o guia já nos avisou que o guia da visita ia começar as explicações 😞 mas esse é o preço de participar de excursões, não é mesmo?
Seguimos então para a área das ruínas. Para nosso imenso azar, nosso guia da visita (ao contrário do guia da viagem, que falava super bem) tinha uma péssima dicção - espanhol claro dá pra entender bem, mas espanhol fanho? Fiquei em dúvida se os argentinos conseguiam entender... enfim, os malinhas estavam loucos pra correr e se mexer depois de tantas horas no ônibus, e partiram explorar aquele terrenão enorme. Eu fiquei atrás deles pois após uns minutos vi que não ia conseguir entender muita coisa mesmo. Mas muito ali é autoexplicativo, e também há vários painéis multimídia que explicam alguns detalhes bem interessantes de como funcionava a comunidade. Ainda há muitas paredes bem conservadas e é possível ter uma idéia bastante boa de como era a arquitetura da missão. A luz da tarde estava linda e foi possível tirar fotos muito bonitas, e os malinhas adoraram ficar brincando de Indiana Jones no meio daquelas paredes antigas todas.
Eu amo passeios desse tipo e esse me deu muita vontade de conhecer as outras missões, mas foi meio pesado para os malinhas. Eles curtiram (e se sentiram os exploradores), mas a viagem foi longa e eles ainda não tinham o conhecimento suficiente de História pra entender o contexto e a importância daquilo tudo. Caso tivéssemos ido sozinhos, acredito que teria sido mais fácil pra eles. Mas sabíamos que seria mesmo um passeio mais adulto e assumimos o risco. Só lamentei mesmo o pouco tempo no museu e não ter podido entrar na igreja - depois me dei conta que marquei bobeira, pois durante as explicações que eu não entendia poderia ter dado um pulinho de volta lá. Mas valeu a pena? Sim, valeu cada quilômetro rodado, o lugar é magnífico!

******************************************************************************************************* Quer saber mais do roteiro dessa viagem a Foz do Iguaçu? Os posts estão aqui:
Roteiro completo: Foz do Iguaçu em 5 dias com 3 malinhas
Cataratas do Iguaçu com 3 malinhas: parque brasileiro X parque argentino
Itaipu Binacional: 1 dia com 3 malinhas

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