Cataratas do Iguaçu com 3 malinhas - parque brasileiro X parque argentino

Em Foz do Iguaçu, ninguém tem dúvidas de que o passeio mais famoso e obrigatório é ver as famosas cataratas de perto, certo? Mas o que nem todo mundo sabe (pelo menos não antes de pesquisar um pouco), é que é possível vê-las do lado brasileiro e também do lado argentino, a menos de uma hora de carro de distância de um lado a outro. E que, embora em ambos os lados as cataratas estejam dentro de parques nacionais, os dois são bem diferentes, assim como a visão que se tem das quedas d´água.
Brasil X Argentina
Nesse post vou detalhar as principais características de um e de outro, e explicar porque vale a pena sim ver essa maravilha da natureza (aliás, umas das 7 maravilhas naturais do mundo) dos dois lados da fronteira.

Lado brasileiro: Parque Nacional do Iguaçu (www.cataratasdoiguacu.com.br)
Foi a segunda vez que estivemos no parque em 6 anos e posso dizer que pouco mudou - assim como nossa impressão. Continuo achando o parque super organizado e acessível para todas as idades.
Começando do começo: o parque fica a cerca de 15 km do centro de Foz do Iguaçu. Dá pra chegar lá facilmente de carro ou ônibus (nós optamos por táxi, como contei aqui no nosso roteiro). Os ingressos podem ser comprados nos guichês ou nos tótens (preços aqui - para se ter uma ideia, entrada inteira para brasileiro adulto custa R$ 37,60), assim como via internet (link aqui). Para quem compra nos tótens ou pelo site, é preciso validar os tíquetes em um dos guichês na entrada (e mostrar os documentos necessários no caso de meia entrada).
Uma vez lá dentro, na chamada Estação Centro de Visitantes, pega-se o ônibus de dois andares que leva às outras estações dentro do parque (abaixo o mapa oficial). Pelo menos para os meus malinhas, só o fato de andar de ônibus já foi um acontecimento! E digo que é muito cômodo poder ir de um ponto a outro de ônibus, uma vez que as distâncias são enormes.
Na parada Administração, como o próprio nome diz, ficam a administração do parque e a escola-parque, normalmente não se desce ali. Na seguinte, fica o passeio da Trilha do Poço Preto. Eu confesso que fiquei com vontade de fazer pois é uma combinação de trilha com passeio de barco, num lado do parque que não se vê nos outros passeios, mas o preço é salgado (R$ 150/ pessoa) e a trilha é longa (9 km), então acabamos desistindo. Talvez numa próxima visita...
A próxima parada é a do Macuco Safári, o passeio mais famoso dentro do parque, onde se vai de barco a motor bem pertinho das quedas d´água. Um carro elétrico leva as pessoas da estação até próximo do cais, onde todos são preparados para entrar no barco. Fomos da primeira vez em que estivemos em Foz, com nossa malinha de 2 anos na época. É um passeio muito legal, é indescritível estar no meio do rio, cara a cara com as cataratas, mas não aconselho para crianças muito pequenas (que podem se assustar, como aconteceu com a minha) nem para quem não sabe nadar (mesmo com colete salva-vidas, pode dar medo). Eu, que sei nadar, fiquei meio sem ar na hora em que o barco passou efetivamente embaixo de uma das quedas, foram alguns segundos de pânico - quem é mais aventureiro normalmente ama! O preço também é salgado - R$ 215/pessoa - e o passeio todo leva cerca de 3 a 4 horas.
A próxima parada leva à trilha das cataratas. Na nossa última visita descemos do ônibus ali, e seguimos andando pelo caminho que margeia o rio até o final, onde estão as quedas. São pequenas subidas e descidas, alguns trechos com degraus, há também alguns mirantes pelo caminho, mas a vista é sempre magnífica!
Seguindo pela parte mais baixa da trilha chega-se nessa passarela no meio do rio, ou melhor, num dos degraus das quedas. Pra mim, esse é o ponto alto desse passeio: poder sentir a água caindo com força, respingando na gente... e com o dia ensolarado, formam-se vários arco-íris, formando uma paisagem ímpar.
Voltando da passarela e subindo um pouco chega-se a um local com lanchonete, uma lojinha e banheiros, onde fica o elevador que leva à estação Porto Canoas (é possível subir a pé também - na foto acima vê-se o elevador). Nesse local dá pra ficar bem pertinho de uma queda d´água e se molhar de novo.
Na estação Porto Canoas fica uma estrutura bem grande, com lojas de souvenir, lojas que vendem os passeios, praça de alimentação e um restaurante com vista para as cataratas. Dali também pega-se o ônibus de volta à entrada. Como estava muito quente e estávamos com muita fome aproveitamos o restaurante e seu ar condicionado. A vista lá de cima também é linda.
Para quem não vai fazer nenhum passeio adicional, a visita pode terminar ali. Fizemos o roteiro todo em cerca de 4 horas, numa tarde, pois de manhã estivemos no Parque das Aves, que fica exatamente na frente da entrada do parque. Aliás, essa é uma ótima combinação, que não chega a ser exaustiva. Sugiro que quem for fazer os passeios adicionais no parque - Macuco ou trilha - reserve um dia todo do roteiro.



Lado argentino: Parque Nacional Iguazú (www.iguazuargentina.com)
Assim como no lado brasileiro, já havíamos estado aqui. De novo, optamos por chegar cedo, por volta das 9 horas da manhã, pois a intenção era passar o dia e evitar ao máximo as filas - que aqui já sabíamos que seriam mais longas. O maior motivo é a estrutura: o parque argentino é bem mais modesto, com menos guichês, menos opções de transporte  interno e menos funcionários, por isso qualquer fila já vira uma aglomeração de pessoas.
O parque fica a cerca de 30 min da fronteira com o Brasil, tranquilamente acessível de carro ou ônibus (várias agências vendem passeios combinados, já com transporte incluído). Novamente, como contei no nosso roteiro, optamos por ir de táxi. Importante lembrar que as entradas só podem ser pagas em pesos argentinos ou cartão de crédito.
Diferentemente do parque brasileiro, aqui o negócio é caminhar. Há um trenzinho que corta o parque, mas só está disponível a cada 20 ou 30 min (dependendo do período do dia), e mesmo ele só leva a dois pontos. Abaixo o mapinha com todas as trilhas e distâncias. Já de cara dá pra perceber que 1) se vê muito mais das quedas e 2) parece meio complexo, mas dá pra se localizar.
Logo após a entrada há um Centro de Visitantes, onde é possível perguntar sobre os roteiros e (tentar) se localizar um pouco melhor. Malinhas adoraram a entrada, com aqueles painéis com buraco pra colocar o rosto.
A uns 600 m à frente fica a estação do trenzinho - que apesar do pomposo nome de Tren Ecológico de la Selva, tem essa cara da foto.
Os ingressos para cada saída do trenzinho, embora inclusos no valor da entrada, devem ser solicitados a cada viagem num guichê exclusivo, de forma que o número de pessoas seja controlado. Por isso o embarque deveria ser bem tranquilo, certo? Errado. Ninguém forma fila e vira um amontoado de gente querendo entrar ao mesmo tempo, o que é bem desagradável e especialmente difícil para as crianças e para os mais idosos. Esse é um ponto que poderia ser facilmente melhorado caso um funcionário organizasse as filas, como é nos pontos de ônibus do parque brasileiro.
Mas voltando ao trenzinho, ele faz um único roteiro: da Estação Central, próxima ao Centro de Visitantes, para na Estação Cataratas, onde fica uma praça de alimentação e todos têm que necessariamente descer, e dali faz o trajeto mais longo, até a Estação Garganta do Diabo. As saídas normalmente ocorrem a cada 20 ou 30 min, e em cada parada todos devem descer e pegar um novo tíquete para embarcar novamente.
De cara fizemos o trajeto todo - descemos na Estação Cataratas e já embarcamos novamente para a Garganta do Diabo, que é a queda mais imponente e famosa do parque.
Dali se pega uma trilha de 1600 m, a maior parte por cima do rio. A paisagem é linda e como o dia estava bem claro, dava pra ver até os peixes nas partes mais rasas. Como é um caminho bem aberto e praticamente sem sombra, boné ou chapéu é artigo essencial.
A trilha termina exatamente na frente da Garganta do Diabo, um conjunto de pequenas quedas que somam um volume muito grande, levantando uma nuvem que faz a gente se sentir praticamente dentro da água, muito impressionante! E para nossa surpresa, um grupo de passarinhos estava dando um show à parte, voando e fazendo acrobacias em meio à água, lindo demais.
Depois de muitas fotos, fizemos a trilha de volta e pegamos o trenzinho para voltar à Estação Cataratas, de onde saem as trilhas dos Circuitos Superior e Inferior. Essas trilhas, de cerca de 1700 m cada uma, permitem uma visão de cima e de baixo de várias das quedas d´água do parque.
Após um lanche numa das cantinas ali da estação - onde, para nossa imensa tristeza, vimos turistas dando pão e refrigerante para os quatis, assim como um macaquinho tentar roubar o lanche de uma mesa - seguimos para o circuito superior. Esse trajeto passa por 6 quedas, todas identificadas e com mirantes, todas com vistas maravilhosas. E em muitos pontos passa-se em cima do rio. 
Como o guarda-corpo não é alto, há muitos avisos que não é permitido carregar as crianças nos ombros.
Embora mais longo, o circuito superior não é especialmente cansativo - é todo plano, há vários bancos pelo caminho para quem quiser se sentar e descansar um pouco.
Já o circuito inferior começa confuso: há poucas placas indicando o início da trilha, que tem escadas, subidas e descidas, e trechos bem estreitos. A vista linda da base das quedas compensa, mas é uma trilha bem cansativa, ainda mais para quem, como nós, deixou para fazê-la por último.
Depois de tanto sobe e desce ainda nos perdemos um pouco até chegar à estação para pegar o trenzinho de volta à entrada. Mas a quantidade de pessoas esperando era enorme e o tempo de espera seria mais de meia hora, de acordo com a placa afixada na entrada, então resolvemos encarar andando os restantes 600 m até a Estação Central. Os malinhas tiveram que ser carregados por uma boa parte da trilha (que é bem plana e fácil) e foi uma alegria chegar ao final!
Vale falar que há banheiros e lanchonetes espalhados em vários pontos do parque, porém nada com muita estrutura, todos lanchonetes e restaurantes simples. Próximo ao centro de visitantes ficam algumas lojas de souvenir, uma sorveteria Freddo (que fez a nossa alegria antes de irmos embora!), uma outra lanchonete e um galpão onde indígenas vendem artesanato. Queríamos muito ter comprado algo ali, mas assim que nos ouviram falar português os preços subiam assustadoramente... 
Há também no parque duas outras trilhas: a da Isla de San Martin, que estava fechada por algum motivo climático, e o Sendero Macuco, a mais longa, de 7 km. Há também disponíveis passeios do tipo Macuco Safári (à venda num quiosque logo na entrada), mas nem nos informamos sobre os preços pois não iríamos fazer, e também já tínhamos ouvido falar que não são tão legais e seguros como os do lado brasileiro.
Mesmo sem esses passeios adicionais, sugiro reservar um dia todo para esse parque pois anda-se muito! Fazendo as contas, dá facilmente 6 ou 7 km, o que é bem cansativo principalmente se o tempo estiver muito quente. Reservando um dia todo dá pra fazer tudo sem pressa.


Dicas & Conclusões

Qual parque é mais legal? Difícil dizer, são muito diferentes! No lado brasileiro o passeio é mais fácil - quem não quiser andar a pé pode ir de um ponto a outro confortavelmente no ônibus -, mas a paisagem, apesar de linda, não varia muito. No lado argentino tem que ser meio atleta e não ter preguiça, mas a recompensa é uma paisagem muito mais variada e extensa.
Qual é o mais organizado? Sem dúvida, o brasileiro. No argentino, além de mais rústico, sentimos falta de mais sinalização e mais funcionários.
Qual tem mais animais? Quatis aos montes tem nos dois. E nos dois há placas por todos os lados alertando do perigo em alimentar e tentar tocar os animais. Em ambos também presenciamos os quatis tentando pegar comida dos turistas, mas só do lado argentino vimos pessoas dando comida a eles. E em nenhum dos dois vimos funcionários chamando a atenção ou de alguma forma orientando as pessoas em relação a isso, o que achamos que deveria ser feito. No lado argentino vimos também muitos macacos e pássaros. Falando em animais, aqui cabe uma confissão: não sei se era a época do ano (final de abril, começo de maio), mas os dois parques estavam infestados de... borboletas! Muitas, em todos os lugares, pousando nas pessoas... e eu tenho pavor de insetos em geral, borboletas incluídas. Mas em minha defesa, mesmo quem gosta delas se irritava em algum momento, tamanha era a quantidade.
Qual o melhor pra ir em família? Com crianças bem pequenas, como quando fui pela primeira vez (malinha mais velha tinha 2 anos, o caçula estava na barriga), o lado argentino pode ser bem cansativo, embora dê para levar carrinho tranquilamente. Do lado brasileiro, os ônibus facilitam bastante. Mas ambos os lados valem a pena, indo bem preparado e respeitando o ritmo dos pequenos.

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