Pantanal com 3 malinhas

Essa viagem é mais antiga mas com certeza foi marcante... se hoje alguém perguntar pra qualquer um dos 3 malinhas qual viagem de férias eles mais gostaram, a resposta empolgada vai ser "pantanal!!!". Eu confesso que não sou muito amiga de ecoturismo que não envolva praia, mas pensei no pantanal como destino de férias porque tinha na cabeça o Globo Repórter com aquelas imagens lindas de tuiuiús branquinhos, onças pintadas escondidas, muitos jacarés no meio do verde e muita água (o que não exatamente corresponde à realidade, mas isso vai ficar claro mais pra frente).
E assim comecei a pesquisar para levar os malinhas nas férias de julho do ano passado, achei que valia a pena conhecer um lado do Brasil com o qual não temos nenhum contato, nem eu nem marido conhecíamos o centro-oeste, e conhecendo um pouco a nossa galerinha - super fã de fazendas e bichos em geral - achei que ia ser um destino interessante. Encontrei nesse post www.viajocomfilhos.com.br/2012/04/pantanal-diversao-e-aventura-com-3-criancas a indicação que eu precisava: um hotel fazenda com pensão completa e diversas atividades, também já inclusas no preço da diária. Há mais de uma fazenda nesse estilo, mas ligamos na Fazenda Xaraés, indicada no post acima, e gostamos logo de cara do jeito e do preço - e já fechamos.
Para chegar lá pode-se ir via Corumbá ou Campo Grande. Via Campo Grande há vôos diretos, mas a distância de carro até a fazenda é maior (340 km), via Corumbá os vôos fazem escala em Campo Grande mas a distância de carro é de 130 km. Nós fomos via Corumbá, mas se fosse fazer de novo desceria em Campo Grande e faria de carro o restante, pois acaba sendo menos cansativo que fazer escala.

Seguem então os detalhes dia a dia dessa aventura:


nossa tradicional fotinho de início de viagem
Dia 1 - Pegamos o vôo cedo para Corumbá. A escala foi meio demorada em Campo Grande, fizemos um lanche pois sabíamos que ia demorar a chegar no nosso destino final. Malinhas curtiram de monte andar de avião, ainda mais duas vezes. Na nossa chegada em Corumbá o motorista já estava nos esperando.
Ele seguiu pela Estrada Parque - que é 100% de terra - o que fez a viagem demorar muito. Teve a vantagem de já podermos ir apreciando a paisagem, atravessamos o Rio Paraguai de balsa, vimos um monte de jacarés e capivaras. Mas foi bem cansativo e apertado pois estávamos em 5 pessoas mais o motorista numa Pajero antiga. Não pude deixar de me arrepender levemente por ter inventado essa viagem hahahaha.... 
montes de jacarés
A paisagem na verdade é meio árida, pelo menos nessa época, o que já conflitou com a minha ideia Globo Repórter, mas foi bom pra já irmos nos acostumando com o que nos esperava.
um dos muitos rios do caminho
Chegamos na Xaraés no final da tarde e fomos super bem recebidos. Aliás, a atenção e o tratamento foram impecáveis, em tudo que precisamos. Nos ofereceram bolo e café quando chegamos morrendo de fome para dar tempo de esperar o jantar, o que foi ótimo pois não havíamos almoçado (em todas as tardes havia bolo e suco disponíveis, uma delícia pra matar aquela fominha da tarde). E finalmente os malinhas - e nós adultos - pudemos esticar as pernas e andar um pouco.
Os chalés são espalhados em dois prédios, e a sala de refeições fica em um terceiro. Tudo bem rústico mas a comida era deliciosa, bem caseira. Minha única reclamação é que há um gosto por colocar pimentão no feijão (eu odeio pimentão, qualquer que seja a cor), mas descobri que é um costume da região.
prazer, sou um tuiuiú
malinhas soltos finalmente
Todas as noites, durante o jantar, um dos guias vinha conversar com a gente sobre os passeios do dia seguinte, explicando direitinho como seria, o tempo de duração, quantas pessoas iriam, as precauções necessárias, o que iríamos ver, etc. Logo nessa primeira noite já entendemos como seria a dinâmica do negócio. E depois desse primeiro jantar já fomos dormir e descansar para o dia seguinte.


Dia 2 - Nesse dia pela manhã estava programado o passeio de barco a motor pelo rio que passa atrás da fazenda, o rio Abobral. Estava bem nublado e friozinho quando fomos tomar café, e aí já percebi que tinha errado nas roupas... Todos nós colocamos todas as blusas de frio que trouxemos, uma por cima da outra, e foi a melhor coisa que fizemos pois no barco ventava e ficava ainda mais frio. Por sorte os malinhas estavam de moletom mais grossinho. Nosso guia era muito bom e foi nos explicando o caminho todo o que poderíamos ver - na verdade, como já disse, não é uma paisagem verdinha, e até os passarinhos são na maioria acinzentados e não muito numerosos. Vimos muitas capivaras (elas ficam bastante em torno do rio), um camaleão, vários jacarés dentro e fora da água - nessa hora os malinhas se animaram, pois estavam com frio e achando tudo monótono -, alguns passarinhos solitários. 

olha o jacaré!
O rio não estava tão baixo pois havia chovido na semana anterior, e naquela hora também não havia tantos mosquitos, provavelmente por causa da temperatura. Foi um passeio bem tranquilo.
animação no barquinho
nossas amigas capivaras
olha a selfie!
Ao final do passeio fomos dar uma explorada nos arredores antes do almoço, pois ainda era cedo. Tem muito espaço para a criançada correr à vontade no entorno dos prédios, e depois fomos pelo caminho que chegamos de carro onde ficam algumas lagoas cheias de jacarés. Marido até tirou uma selfie com um deles.
Para a tarde estava programado um safári fotográfico com jipe. Só de falar de jipe os malinhas já ficaram animados. Na verdade o passeio é até a sede real da fazenda, que é uma fazenda mesmo, com criação de gado e cavalos. Eles também participam de um projeto de reintegração de aves na natureza, então tinha um papagaio meio arisco se readaptando. Malinhas e marido tentaram uma amizade mas não rolou muita empatia. Vimos um porco do mato se aproveitando da ração do gado, e muitas araras azuis, alguns gaviões e corujas, e um cavalinho recém-nascido. Ao final voltamos para o jantar. Também foi um passeio tranquilo e os malinhas curtiram bastante.
meio assustador estar sempre
rodeado de bois
tentando uma nova amizade

Dia 3 - De manhã estava programado o passeio à cavalo. Malinha #2 delirou de alegria, ele ama cavalos e não parava de falar disso! Quem nos guiou foi um senhor que trabalha na fazenda, o típico pantaneiro, que adorou o entusiasmo do nosso malinha. Malinha #1 foi comigo e Malinha #2 com o pai, preso no canguru porque ficamos com medo que ele se desequilibrasse. 
Malinha #2 feliz da vida no
cavalo branco
no meio do nada
Os cavalos eram bem mansinhos e foi um passeio comprido mas bastante tranquilo. Eu é que fiquei super tensa pois não sou tão amiga assim de cavalos e pra quem não está acostumado a montar pode ser bem desconfortável depois de algum tempo cavalgando (leia-se dá uma dor insuportável no bumbum, ainda mais para desfavorecidos de gordura nessa parte do corpo como eu hahahaha!). Andando naquela paisagem deserta tive a maior sensação de isolamento de toda a minha vida, é um silêncio que até pesa, e em alguns pontos não se vê criatura viva onde o olho alcança.
oi seu Tatu!
Ao final do passeio fomos almoçar e ficamos aproveitando os arredores novamente. Moram três tatus ali que estão sempre zanzando atrás de comida (depois que descobri que comem restos eles caíram no meu conceito, mas enfim), e os malinhas adoraram correr e brincar por ali em busca deles. Vimos também vários casais de araras azuis - eles são monogâmicos e estão sempre em parzinho, o guia nos deu uma aula.
O passeio da tarde era de canoa canadense - e de longe foi o mais tenso da viagem! Subimos o rio de barco a motor até o ponto onde as canoinhas estavam. O guia nos distribuiu por peso e capacidade de remar, e ficamos eu, marido e os dois malinhas juntos, Malinha #3 foi junto com um menino da idade dele em outra (e se divertiram horrores, vale dizer). Como a canoa é levinha não se pode mexer muito - fale isso para crianças de 2 e 5 anos que querem ver tudo e falar de tudo - nem virar bruscamente. 
na ida, só alegria
E apesar de todos estarem de colete salva-vidas e o nível do rio estar bem baixo, fomos alegremente lembrados que havia piranhas naquele trecho. 
O negócio ficou tenso mesmo pra mim quando marido virou e falou: se a canoa virar, se preocupe com você mesma que eu pego as crianças (!!). Finalmente nos acomodamos, falamos mil vezes para os dois que não podiam se mexer, coloquei Malinha #2 na minha frente, e marido começou a remar. 
o visual ajudou
Como estávamos descendo o rio a correnteza ajudava, mas como o nível da água estava baixo de vez em quando a canoa dava uma enroscadinha. E como já era meio fim de tarde e estávamos num rio, os mosquitos começaram a nos atacar com toda a fúria - para afastá-los do rosto passei repelente no meu boné e dos malinhas (nem liguei pra intoxicação hahahaha) mais de uma vez. Vale dizer que o sol havia saído e tiramos lindas fotos apesar de tudo, foi uma super aventura para os malinhas maiores, e Malinha #2 ficou tão imóvel que até dormiu encostado em mim! 
De qualquer jeito não aconselho muito esse passeio para as crianças menores, dá um certo medo e no final das contas nem é tão legal assim, pois remar é pesado (que o diga marido!).
Depois de toda essa tensão fomos brincar um pouco de bola e apreciar o pôr-do-sol antes de jantar.





o único peixinho foi um sucesso
valeu a tentativa
Dia 4 - Esse foi o dia da (suposta) pescaria de piranha. Os malinhas estavam animadíssimos até descobrirem que pra pescar alguma coisa é preciso ficar bem quietinho e sem se mexer por muito tempo! Tudo foi festa no início, inclusive quando Malinha #3 pegou o único peixe daquela turma, mas depois se cansaram e fomos andar nos arredores pra ver os jacarés (tinha vários no entorno da lagoinha onde estávamos). Marido ainda insistiu um pouco na pescaria, sem retorno.


malinhas fazendo novos amigos
À tarde estava programada uma trilha para observação dos animais, e na volta de jipe passamos novamente na sede da fazenda para ver o pôr-do-sol. Não quero me alongar aqui, mas a trilha foi difícil por vários motivos: estava bastante calor, os mosquitos mais ferozes que nunca por causa do calor e do horário (picaram as costas inteirinhas do Malinha #2 que estava com a blusa pra fora da calça), tive que carregar o Malinha #2 um bom pedaço pois ele se cansava fácil e só queria a mamãe, os bichos não são fáceis de se ver - vimos um casal de macacos, um tatu, alguns passarinhos e só, nada empolgante - e ainda não podíamos ficar conversando pra não fazer barulho. Digo só que me deu um mau humor insuportável (!). 
Depois o guia nos pegou com o jipe e tudo melhorou, vimos nosso amiguinho papagaio novamente, os malinhas foram ver os cabritinhos, Malinha #3 conseguiu chegar bem pertinho de um jacaré... Voltamos já estava bem escuro.



na trilha
Dia 5 - Esse foi um dia bem tranquilo e praticamente livre. Durante a manhã nos deram a opção de repetir a pescaria - que ninguém quis - ou ir fazer uma trilha leve pelos arredores da fazenda, beirando o rio. Foi um passeio bem leve e conseguimos ver mais tatus, um quati e um veado (como já disse, não há abundância de bichos). 
como sempre animados
À tarde ficamos livres, malinhas ficaram correndo atrás das capivaras pra lá e pra cá, e no final do dia marcamos o passeio de barco noturno, pra (tentar) ver os animais que só saem à noite - quem sabe uma onça? Saímos pouco antes do escurecer, numa super animação, até que ficou bem escuro. Com a minha ingenuidade urbana típica pergunto que passarinhos eram aqueles que voavam perto de nós, e recebo a singela resposta que não são passarinhos, e sim morcegos. Nem preciso dizer que fiquei tensa o resto do passeio... 
Infelizmente não vimos nenhuma onça, e com certa dificuldade vimos alguns pássaros noturnos, uma anta saindo da água, e só. Malinhas ficaram meio frustrados mas curtiram o negócio de ficar no escuro só com uma lanterna.



cavalo de novo
Dia 6 - Como já havíamos feito todos os passeios nos propuseram repetir o passeio a cavalo - prontamente aceito com entusiasmo pelos malinhas. Eu declinei do convite pois meu bumbum não permitia mais cavalgadas. Malinha #1 adorou porque foi sozinha, uma perfeita amazona mirim! 
a luz do fim do dia deixa
tudo mais bonito
No fim do dia fomos fazer o safári noturno. Saímos no final da tarde para ver o pôr-do-sol e na volta procurarmos os bichos com a lanterna. A noite é muito escura quando estamos longe das luzes da cidade!


medo dessa galera toda
nos olhando
Na ida vimos uma família de porcos selvagens convivendo pacificamente com os bois, e um casal de araras azuis que praticamente posou para nossas fotos. Depois que escureceu conseguimos ver um lobo, algumas corujas, um veado... não foi dessa vez que a onça apareceu pra nós. Foi nosso último dia e uma linda despedida desse lugar tão peculiar.




porcos selvagens
casal de ararinhas azuis


Dia 7 - Dia de ir embora. Nosso translado já estava esperando quando terminamos o café para nos levar até Corumbá. Dessa vez fomos pela estrada de asfalto, pegando só um pedacinho da estrada-parque, o que foi bem mais rápido. De Corumbá pegamos o avião para Campo Grande, e de lá para Viracopos.




Resumão:

Destino - Pantanal (que é uma região enorme, mas cerca de 80% está distribuído entre os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul)
Sites úteis para consulta:

Data da viagem - 20 a 26 de julho/2015
Meio de transporte - avião (de Campinas até Campo Grande, e de Campo Grande a Corumbá) e carro (um motorista com uma Pajero fez nosso translado de Corumbá até o hotel-fazenda). Fomos de Azul, via Viracopos, e deixamos o carro num estacionamento próximo ao aeroporto.
Quantidade de pessoas - 2 adultos, 3 crianças (2, 5 e 12 anos)

Hospedagem - Fazenda Xaraés

Preços
Hospedagem - Pagamos R$ 4900 pelo período todo, para nós 5 com pensão completa (café da manhã, almoço e jantar) e todos os passeios incluídos, mas como essa viagem já tem mais de um ano esse valor pode estar desatualizado. Lá gastamos apenas com as bebidas que consumimos nas refeições e com a taxa de R$ 10 para usar o wifi (que funcionava muito mal).
Translado - R$ 1300 (indicado pelo hotel)
Passagens aéreas - não nos custou nada pois tiramos as 5 passagens com pontos do cartão de crédito


Dicas & Conclusões:
- Tire o Globo Repórter da cabeça, repito isso para todos que me perguntam dessa viagem. Os tuiuiús não vão voar a seu redor e os bichos em maior quantidade por lá são bois, jacarés e capivaras - nessa ordem mesmo. É preciso muita paciência e silêncio pra conseguir ver os animais mais interessantes, além de um bom guia. É preciso também uma alta tolerância a picadas de mosquitos, porque eles te comem vivo o tempo inteiro (e tenho pra mim que devem achar o cheiro do Off um perfume).
Como fomos em julho, é época de seca e os rios estavam com nível bem baixo, e por isso também os bichos ficam mais espalhados, talvez na época da cheia seja um pouco mais fácil vê-los...

- Eu errei totalmente na mala de roupas - como achei que estaria calor por ser uma região quente, levei muitas bermudas e blusas de manga curta e bem poucos agasalhos. Na verdade estava bem friozinho, principalmente de manhã e quando estava nublado, então acabamos usando casacos o tempo todo (reparem que nas fotos parece que estamos todos os dias com a mesma roupa, mas era só o casaco, embaixo era sempre roupa limpa, ok?). Também não dá pra andar descoberto porque os mosquitos não nos deixam em paz, mesmo que você se banhe de repelente.

- Malinha #2 é super alérgico a picadas de mosquitos, e por mais repelente que passasse ele levou muitas picadas. Recomendo fortemente levar uma farmacinha com os remédios que estão acostumados, entre eles um bom anti-histamínico (o popular antialérgico). Só pomadinha não resolve a coceira de quem tem alergia e levou muitas picadas, e coceira deixa qualquer um de mau humor. Lembrando que é um lugar bem isolado e não há possibilidade de comprar coisas fora.

- Como eu disse no início, apesar dos percalços - mosquitos principalmente - os malinhas amaram, e é realmente uma viagem muito interessante especialmente para aqueles super urbanos como nós. É outra realidade, outro jeito de viver. É morar a muitos quilômetros de estrada de terra de qualquer cidade. É ver as mesmas pessoas todo dia, é trabalho duro todo dia. Deve ser difícil para quem tem filhos pequenos, como a gerente do hotel, cujo filho fica num internato porque não há escolas lá perto. Foi uma experiência fantástica para nossos malinhas e para nós também, recomendo para todas as idades.

- Vale dizer que nos primeiros dias éramos os únicos hóspedes brasileiros, todos os outros eram europeus - franceses e holandeses principalmente. Os guias e a dona da fazenda falavam inglês, e alguns grupos já traziam seus guias.

- Os quartos não têm televisão e a internet, mesmo sendo paga à parte, não funciona nos quartos, então acaba sendo um detox meio forçado. Eu senti um pouco de falta da tv à noite (marido quase teve um treco quando viu que não tinha tv), mas por alguns dias é até bom se isolar um pouco. Se você não vive sem isso, já se prepare psicologicamente antes de ir...

- Ao final da viagem chegamos à conclusão que 4 dias eram mais que suficientes para todos os passeios, talvez 5 para ficar bem à vontade e repetir algum que se tenha gostado mais. Uma semana nos cansou (a nós adultos), especialmente porque não somos (sou) exatamente uma amante da vida no campo.

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