Minas Gerais a dois - São João Del Rey e Tiradentes

Saímos de São Thomé das Letras num final de tarde (parte 1 dessa viagem) e seguimos as instruções do Waze. Apesar de ser uma distância de pouco menos de 200 km demoramos 4 horas para chegar em São João Del Rey, seguimos um bom pedaço pela Fernão Dias mas depois pegamos uma rodovia federal muito ruim, deserta, escura e mal sinalizada - por isso sempre recomendo viagens durante o dia, nos arrependemos um pouco por termos saído tarde de São Thomé.
Chegamos morrendo de fome e super cansados, mas logo de cara já me encantei com a cidade. Encontramos uma pousada fofa ao lado da Igreja de São Francisco de Assis e colada ao campus da Universidade Federal... era um casarão antigo todo reformado, e conseguiram manter toda a cara de antigo mas super confortável, de longe um dos melhores lugares em que já ficamos.
Igreja São Francisco de Assis
No dia seguinte pela manhã, depois de um café da manhã delicioso, pedimos para deixar o carro no estacionamento da pousada enquanto passeávamos e saímos a pé. Atravessamos a rua e fomos direto à Igreja de São Francisco de Assis, com certeza a mais bonita que visitamos nessa viagem. É cobrada uma taxa de R$ 5 por pessoa para entrar, e há sempre vários guias disponíveis para ajudar - eles não cobram um valor fixo, mas vale a pena ouvir o que têm a dizer. Nos fundos da igreja há um cemitério (isso é bem comum nas igrejas antigas) onde está enterrado o ex-presidente Tancredo Neves - aliás, a família Neves aparece com frequência nas conversas.
ponte da Cadeia
Igreja N.Sra. das Mercês


Seguimos rumo ao centro histórico, atravessamos a ponte da Cadeia, passamos pela Igreja Nossa Senhora do Rosário, pela rua das casas tortas - antigamente não rolava uma padronização em relação ao nível a ser seguido nas construções, marido que gosta de tudo alinhadinho ficou meio nervoso -, vimos o Solar dos Neves (casa que até hoje pertence à família do ex-presidente Tancredo), subimos as escadarias da Igreja de Nossa Senhora das Mercês, que fica bem no alto, entramos na Igreja Nossa Senhora do Carmo... igreja é o que não falta. Mas o bonito da cidade é a integração dos prédios antigos com o restante, tudo muito bem sinalizado, as fachadas todas bonitinhas, cafés e lojinhas por toda a parte.

rua das casas tortas
Passamos pelo campus da universidade antes de pegar o carro e seguimos para o Museu Ferroviário. Os passeios de trem entre São João Del Rey e Tiradentes normalmente saem entre sexta feira e domingo, mas como era julho havia também disponibilidade na quinta-feira, e decidimos pegar o trem. Compramos ida e volta (R$ 60 por pessoa), e antes de partir demos uma volta pelo museu, que fica dentro da estação.
O passeio é bem agradável e curto, nessa hora bateu uma saudade dos malinhas - eles adoram trem! Como pegamos o horário das 13h, escolhemos voltar às 15h (os horários variam bastante de acordo com o dia da semana e a época do ano, mais informações aqui). Pegamos o carro e almoçamos ali por perto - há varias opções de restaurante, todos com cara ótima - e seguimos para Tiradentes.
Museu Ferroviário

As duas cidades são bem próximas (cerca de 15 km) e assim que chegamos procuramos por uma pousada. Tiradentes é bem turística, com uma oferta grande de pousadas, e escolhemos uma bem próxima ao centro comercial. Também era um casarão reformado mas não tão charmoso quanto o que ficamos em São João Del Rey, apesar de um pouco mais cara. Mas era bem localizada e muito perto de tudo. Como chegamos no final da tarde já deixamos o carro e fomos explorar as lojinhas ali por perto. Além dos objetos de estanho, bem tradicionais na região, havia muita coisa em pedra sabão e artesanatos de todo tipo.
Saímos de casalzinho à noite (muito bom!!) e fomos descansar para aproveitar o dia seguinte, que seria o último.
Pela manhã seguimos em direção à Matriz de Santo Antonio, a mais famosa da cidade, pela história e pela suntuosidade... mas ainda estava fechada para visitação. 

Matriz de S. Antonio
a Matriz lá no alto
Andamos então pelos arredores, vimos o monumento à Tiradentes, fomos até o Chafariz de São José e então retornamos à igreja. Dentro não é permitido tirar fotos, mas é realmente cheia de ouro e de histórias.
eu e Tiradentes
Chafariz de São José
Fomos conhecer a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, que tem uma história bem interessante (construída para os escravos pelos escravos), mas por todo lado onde se olha tem prédios históricos, aliás a cidade toda parece ter parado no tempo. Se assemelha muito à Parati, as casinhas todas com cara de período colonial, muitas lojinhas e restaurantes.
Resolvemos então voltar para casa, almoçando no caminho, depois de 3 dias intensos!


Resumão:

Destinos: São João Del Rey e Tiradentes (MG)

Sites úteis para consulta:

Hospedagem

Pousada Villa Magnólia - www.pousadavillamagnolia.com.br(super recomendo!!)
Preço - R$ 210 o casal - valeu cada centavo! Recomendo de olhos fechados
Pousada Vovô Chiquinho - www.vovochiquinhopousada.com.br 
Preço - R$ 240 o casal

Conclusões:
Pra quem quer mergulhar na História do Brasil é um passeio e tanto. Vale a pena ouvir os guias, ler as placas, passear sem muito rumo... mas pra nós dois dias foi a conta. Foram tantas histórias e tantas igrejas que depois de um certo tempo começamos a confundir tudo. Chegamos à conclusão que nosso plano original, que era fazer todo o circuito histórico incluindo Ouro Preto, Mariana e Diamantina, seria muito cansativo e talvez não aproveitássemos tanto - além do fato dessas cidades serem mais distantes. 
Eu adoro passeios mais urbanos, então fazer tudo isso após o esoterismo de São Thomé das Letras foi uma delícia. Foi bom demais também sair a dois, sem reservas de hotel ou percurso muito planejado, coisa que nunca fazemos quando estamos com os malinhas, mas nessas cidades acho que daria sim para passear com eles - lembrando que quanto menores, menos paciência têm em ouvir explicações ou apreciar igrejas. 
Embora as duas cidades sejam bem históricas, São João Del Rey me agradou mais, achei a integração entre o velho e o novo fantástica, e a cidade super agradável. Mas vale a pena conhecer ambas.

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